Cafeicultores estão otimistas
Os produtores rurais do Planalto de Conquista, a 509 km de Salvador, ainda avaliam os prós e os contras da proposta de renegociação das dívidas agrícolas, que somente na região respondem por uma inadimplência em torno de R$ 500 milhões. Somente a da cafeicultura, carro-chefe da economia da região, gira em torno de R$ 50 milhões.
O presidente da Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense (Coopmac), Claudionor Dutra, contemporiza, assegurando que o montante do endividamento não é exorbitante em relação ao restante do Brasil.
“Este número não é exato por causa da complexidade das várias formas e fontes de recursos, como FNE, Finame ou Funcafé”, explica.
“Mesmo não sendo um valor significante, ele passa a ser importante para a região porque impede o produtor de alavancar novos recursos e isso é o que vemos de mais problemático”, continua Claudionor Dutra.
Ao considerar que a dívida da cafeicultura não é comprometedora para a região, Dutra festeja a adoção da medida, tida como “extremamente favorável ao setor, gerador de renda e emprego principalmente para as pessoas de baixa qualificação”.
Dutra acredita na erradicação de entraves com agentes financeiros por causa da inadimplência dos produtores. “Os bancos possuem recursos de sobra, mas sem condições de aplicar devido à inadimplência dos produtores. Esperamos que, com isso, voltemos à adimplência e que possamos injetar novos recursos na região”.
Para defender a adoção da medida provisória do governo, o cafeicultor César Neri faz menção ao passado. “Mesmo o produtor fazendo a sua parte, melhorando a qualidade e dobrando a produtividade do café nesses últimos 20 anos, ele foi prejudicado por conta de planos econômicos do governo para ajustar a economia”, diz. “O que observamos, essa medida do presidente Lula tem uma taxa de juros bastante convidativa e espero que atenda aos anseios dos produtores”.