Commodities agrícolas
Tendência revertida
Os contratos futuros do café registraram a maior alta em mais de cinco semanas no pregão de ontem em Nova York. Os papéis com vencimento em julho subiram 36 pontos - 2,7% - e fecharam a US$ 1,356 por libra-peso. Foi o maior ganho desde o dia 17 de abril. Foi também uma reversão de tendência em relação à semana passada, quando a valorização do dólar e a expectativa de que o Brasil irá colher mais que o previsto pressionaram o grão. "Os torrefadores estão olhando preços de US$ 1,33 a US$ 1,30", disse à Bloomberg Marcio Bernardo, broker da Newedge USA LLC, de Nova York. No mercado interno, a saca de 60 quilos do café ficou em R$ 254,17, com alta de 1,56%, segundo o indicador Cepea/Esalq. No mês, a commodity acumula variação negativa de 0,43%.
Argentina pressiona
Os contratos futuros da soja negociados no mercado americano registraram ganhos ontem, depois que os agricultores da Argentina disseram que irão interromper os embarques de grãos ao exterior como protesto contra as tarifas de exportação. "A situação argentina pressiona ainda mais o Brasil e os Estados Unidos", diz Don Roose, presidente do U.S. Commodities, em Iowa. Na bolsa de Chicago, os papéis com vencimento em julho subiram 25 centavos - 1,9% - e encerraram o dia cotados a US$13,7275 por bushel. A Argentina é o terceiro exportador de soja do mundo, atrás dos EUA e Brasil. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos da soja ficou em R$ 45,80, com alta de 0,37%, segundo o indicador Cepea/Esalq. No mês, a commodity acumula alta de 2,69%.
Pastagem liberada
Os contratos futuros do milho caíram ontem para o menor preço em mais de uma semana, depois que Washington anunciou planos de permitir que os bovinos do país possam pastar em áreas protegidas como forma de reduzir a pressão sobre a ração animal. Cerca de 9,7 milhões de hectares do programa de áreas protegidas do país serão abertos por tempo limitado para a pastagem. "Esse é um band-aid que pode reduzir os preços no curto prazo mas não resolve o problema", disse Dale Schultz, especialista em commodity do Gottsch Enterprises, de Nebraska. Os papéis para entrega em julho caíram 5,5 centavos de dólar em Chicago, para US$ 5,925 por bushel. No mercado interno, a saca ficou em R$ 26,27, com queda de 0,53%, segundo o Cepea/Esalq. No mês, a queda é de 4,1%.
OIE sustenta
A arroba do boi gordo atingiu R$ 84,00 (a prazo para descontar funrural) ontem, de acordo com a Scot Consultoria. A alta no dia foi de R$ 1,00. Além da já muitas vezes mencionada escassez de animais no mercado por causa do ajuste de produção, a notícia de que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) restabeleceu o status de livre de aftosa com vacinação a 10 Estados e o Distrito Federal também contribui para a alta, segundo relatório da Scot. As escalas de abate dos frigoríficos seguem curtas, atendendo dois dias, em média, diz a consultoria. Na B&MF, o contrato de boi gordo com vencimento em outubro (entressafra) fechou a R$ 97,65 a arroba ontem. No dia anterior, tinha atingido R$ 98,17. Segundo fontes do mercado, a decisão da OIE sustenta as recentes altas.