Mata a sede e rende bons negócios
Solados de calçados, encostos e bancos de carros, vasos de flores, mantas para contenção de encostas.
Estas são apenas algumas das diversas maneiras de se aproveitar a fibra dos cocos verde e seco. O material, no entanto, ainda é subaproveitado em muitos Estados, inclusive na Bahia, o maior produtor de coco do Brasil. De acordo com Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), nos últimos cinco anos, a produção de coco cresceu de 424 mil toneladas em 2001 para 628 mil em 2006. Segundo levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia possui hoje 81 mil hectares de coco. São 81,6 mil hectares de área plantada (IBGE, 2006).
Além de poluir o ambiente, o coco demora mais de dez anos para se decompor e pode ser um instrumento para a proliferação de mosquitos, potenciais vetores de transmissão de doenças, como a dengue.
Mas tudo indica que a fibra extraída da casca de coco vai ganhar um novo destino a partir da implantação de uma unidade piloto para a transformação dos resíduos em matéria-prima.
O substrato do coco poderá ser utilizado na confecção de objetos domésticos, artesanato, no setor automotivo e na agricultura. Além disso, pode se tornar uma fonte de emprego e renda para a população, como já acontece em outros países, a exemplo da Índia e Sri Lanka.
BENEFICIAMENTO – A implantação do projeto de reaproveitamento da casca do coco verde foi discutida em reunião, no início deste mês, com o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (Secti), Ildes Ferreira, o presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais do Estado da Bahia (Sindfibras), Wilson Andrade, o diretor do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Bahia (Ceped), Adalberto Cantalino, além do diretor-executivo do Closte de Turismo da Costa dos Coqueiros, Armando Holandezoz.
De acordo com o secretário Ildes Ferreira, a idéia é implantar o centro de beneficiamento no Cedep.
“Lá pode ser o início de um grande empreendimento no setor”, diz o secretário, acrescentando que a estimativa é de que esteja pronto em 90 dias.
O diretor do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Bahia (Ceped), Adalberto Cantalino, afirma que o objetivo é pesquisar as possíveis aplicações da fibra do coco e do líquido extraído da própria fibra.
“Acreditamos que esse líquido pode ser utilizado na irrigação de plantas, na produção de adesivos, como biofungicidas (combate aos fungos) e no curtimento de couro”, diz Cantalino.
Segundo ele, ainda não se conhece o limite de produtos possíveis.
“Esperamos descobrir quais as possíveis maneiras de aproveitar a casca do coco, além das já conhecidas, para produzir em escala industrial, prevê”.
PROJETO – O presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais do Estado da Bahia (Sindfibras), Wilson Andrade, explica que, no processo atual, ao retirar o coco seco do pé, o produtor separa a casca do próprio coco. “O produto é comercializado no mercado ou na indústria, mas a casca fica na fazenda, ou é queimada como lixo ou fica poluindo a área, podendo, inclusive, estragar o solo”, alerta.
No caso da casca do coco verde, o produto é vendido e comercializado em feiras, centrais de abastecimento, mercados e praias e, em seguida, recolhido aos aterros sanitários.
Somente em Salvador, segundo a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia, mais de 1,5 mil quilos de casca de coco vai parar diariamente no aterro sanitário, transformando-se em problema ambiental.
Por isso, a idéia é implantar unidades de produção na própria região de onde o coco é retirado. São pequenas fábricas, com dez a 15 pessoas, para o processamento da fibra de coco. A casca é jogada em um triturador. Nele ocorre a extração da fibra, que é separada do pó.
“O pó é utilizado como adubo para plantação e a fibra será encaminhada ao Ceped para a transformação em produto final como mantas, artesanatos, colchões, enfim, inúmeras aplicações”, explica Wilson Andrade.
O objetivo, portanto, é criar uma linha de produção capaz de captar, armazenar, triturar, secar e separar a fibra da casca do coco e transformar a matéria-prima.
Durante a reunião, ficou acordado que a Secti, em parceria com o Ceped e organizações locais, apoiará o projeto de beneficiamento da casca do coco verde em comunidades da Costa dos Coqueiros, no litoral norte.
SOLUÇÕES – Apesar de saudável, beber água-de-coco gera um grande problema ambiental, pois de 80 a 85% do peso bruto do coco verde é de casca, resíduo que vai direto para os lixões, praias ou outras áreas, mas de forma inadequada. O coco verde leva mais de dez anos para a completa decomposição.
Somente em Salvador, mais de 1,5 mil quilos de casca de coco vão parar diariamente no aterro sanitário.
A questão se torna ainda mais grave quando levamos em conta que a Bahia é o maior produtor de coco do Brasil.
A fibra pode ser usada na confecção de diversos produtos de utilidade para a agricultura, indústria e construção civil, em substituição a outras fibras naturais e sintéticas.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais do Estado da Bahia (Sindfibras), Wilson Andrade, explica que a fibra do coco pode ser uma alternativa viável em relação aqueles que usam fibras sintéticas como as fibras de vidro.
“Com a fibra de coco pode ser feito, por exemplo, copos de liquidificadores, batedeiras de bolo e placas acústicas e térmicas em geral, substituindo as fibras de vidro que, além de serem mais poluentes, são mais caras”, esclarece.
A fibra do coco seco, por exemplo, tecida em forma de manta, é um excelente material para ser usado em superfícies sujeitas à erosão provocada pela ação de chuvas ou ventos, como em taludes nas margens de rodovias e ferrovias, em áreas de reflorestamento etc.
Além disso, a confecção de artesanatos variados também representa uma importante forma de aproveitamento da fibra da casca de coco verde. Já o pó extraído do coco é um meio de cultivo 100% natural utilizado para germinação de sementes, propagação de plantas em viveiros e no cultivo de flores e hortaliças.