No sul baiano, a estrela agora é a pupunha

02/06/2008

No sul baiano, a estrela agora é a pupunha

 

O sol forte, a chuva constante e o solo fértil fazem do sul da Bahia o maior candidato a liderar a produção de palmito cultivado (pupunha) no Brasil, maior produtor e consumidor mundial. Em 2007, o País absorveu 80% (45,5 mil toneladas) das 110 mil do mercado. Além disso, a região dispõe de tecnologia e de uma cadeia produtiva estruturada, fatores decisivos para que o Programa de Aceleração do Desenvolvimento da Região Agrícola Cacaueira (PAC do Cacau) incluísse a atividade como uma das principais alternativas de diversificação regional, recebendo uma parcela dos R$ 2,2 bilhões, que serão investidos até 2016.

Por ser grande consumidor, em um mercado em expansão, o Brasil exporta apenas 2.500 toneladas, ficando bem atrás de Equador e Costa Rica. Esses números são importantes, para dimensionar a proposta do PAC para a região, segundo a agrônoma e pesquisadora da Ceplac Maria das Graças P. Costa Silva.

O plano prevê o plantio em torno de dez mil hectares, algo gigantesco, considerando-se que a pupunha é uma cultura muito concentrada. Um só hectare abriga 7.200 plantas e, por conta disso, a região pode largar na frente, sem precisar desmatar, usando áreas degradadas e pastos abandonados.

MANEJO – A pupunha é rentável e de alta produtividade, se houver manejo adequado, com plantio, adubação e colheita no tempo certo, diz Maria das Graças, pesquisadora da Ceplac. A planta gosta muito de chuva, mas o solo precisa ter boa drenagem. Produz em 16 meses.

A pesquisadora destaca que um dos melhores exemplos de sucesso no cultivo da pupunha são as duas propriedades (em Una e Uruçuca) da Inaceres, a maior das seis indústrias alimentícias em funcionamento na região, que trabalha ainda com 95 produtores integrados. Juntos, têm 6,5 milhões de plantas, que produzem 5,5 milhões de hastes de pupunha.

Segundo o diretor-superintendente da Inaceres, Ricardo Ribeiral, a empresa chegou à região em 2001 e já investiu R$ 25 milhões, entre propriedades, implantação, manutenção de lavouras e da fábrica.

O plano de expansão da empresa inclui a compra recente de uma terceira fazenda, em Olivença (Ilhéus), onde estima produzir 1,3 milhão de hastes e elevar a produção para dez milhões de hastes até 2010.

Ribeiral diz que nos últimos três anos a empresa investiu em produtores integrados, que recebiam mudas e fertilizantes para pagamento em hastes. Recentemente, a empresa suspendeu essa linha de crédito, por considerar que o PAC terá linhas de financiamento mais interessantes para esses produtores.

PRODUTIVIDADE – A pupunha tem crescimento de produtividade contínuo e se estabiliza entre quatro e cinco anos, afirma Ribeiral, da Inaceres. Já o agrônomo e produtor Maurício Mendonça, na atividade há cinco anos, tem em duas fazendas um total de 25 hectares com pupunha, onde investiu R$ 250 mil no plantio de 180 mil plantas.

Há três anos começou a colher palmito em dez mil hectares e iniciou a colheita em outros dez mil e espera pagar todo o investimento em cinco anos. As áreas em produção já não precisam de investimento, apenas dos tratos culturais, explica o produtor.