Cotação do leite sobe pelo 4º mês seguido

03/06/2008

Cotação do leite sobe pelo 4º mês seguido

 

Os preços do leite voltaram a subir em maio, pelo quarto mês consecutivo, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). Apesar disso, não há risco de, assim como no ano passado, o produto ser considerado vilão da inflação. O valor médio pago ao produtor é de R$ 0,75 o litro, 2,7% superior ao negociado em abril.
No acumulado do ano, de acordo com a instituição, o produto registra valorização de 13,4% - ante a 17,1% no mesmo período de 2007. A queda no volume captado explica a alta no valor pago ao pecuarista. Segundo o pesquisador Gustavo Beduschi, foi o segundo mês seguido com captação menor: primeiro de 2% e agora, de 4%. No entanto, apesar da queda, a oferta atual é 27% superior a do mesmo período do ano passado.
Beduschi explica que, quando o leite estava impactando na inflação, a relação entre o produto do pecuarista e do varejo era maior que a de agora. No ano passado, um litro de leite UHT valia 2,24 litros ao produtor e, neste ano, 2,02. "O cenário de hoje é de não-sustentação das cotações mais altas. Além disso, naquela época, o preço no atacado valia R$ 1,80 o litro e atualmente não passa de R$ 1,50", argumenta o pesquisador. De acordo com ele, 56% dos agentes pesquisados acreditam na estabilidade dos valores pagos aos pecuaristas em junho, enquanto 20% apostam na queda e 24%, na alta.
O pesquisador do Cepea/USP lembra ainda que os valores praticados atualmente estão entre 30% a 35% superiores às médias históricas do produto e que, apesar de a cotação no mercado internacional ter caído de US$ 5 mil a tonelada, no ano passado, para US$ 4,5 mil a tonelada atualmente, ainda é alta perto da média histórica: US$ 2,5 mil a tonelada.
Entre as regiões pesquisadas pela instituição, a menor alta percentual ocorreu em Minas Gerais: 1,07% (preço médio de R$ 0,77 o litro); enquanto a maior valorização foi verificada no Paraná: 3,87% (preço médio de R$ 0,72 o litro).
O estudo do Cepea/USP mostra que o maior valor pago ao produtor no País está em Goiás: R$ 0,78 o litro. Por outro lado, o pecuarista baiano é o que recebe a menor remuneração pelo produto: R$ 0,64 por litro. Pela primeira vez a instituição pesquisou os valores praticados nos estados do Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. De acordo com o levantamento, o preço médio no Rio de Janeiro ficou em R$ 0,76 o litro e, em Mato Grosso do Sul, R$ 0,67.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Neila Baldi)