Produtor quer elevar exportação
Os produtores de frutas do Vale do São Francisco, região localizada entre os municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), buscam alternativas para alavancar a competitividade das exportações, remando contra a maré da valorização do real e do encarecimento de insumos, como fertilizantes e defensivos agrícolas.
O presidente da Associação do Mercado de Frutas do Brasil, sigla em inglês (BGMA), Avoni Pereira dos Santos, explica que a fruticultura é muito sensível às oscilações do mercado, sem muito espaço para repasse nas altas dos preços dos insumos.“Estamos falando de produtos como manga e uva, e não de commodities internacionais, que se ajustam às cotações internacionais, e o governo nunca olha para o nosso setor”, pondera. Alguns dos motivos de queixa entre os produtores são a carência de linhas de crédito para a fruticultura e a falta de apoio na quitação de dívidas relativas a contratos de financiamento com órgãos governamentais.
Avoni Pereira estima em cerca de R$ 15 milhões a dívida dos produtores da região. A BGMA pretende analisar aMedida Provisória (MP) 432, que estabelece uma série de parâmetros para o pagamento das dívidas agrícolas dos produtores rurais, a fim de enquadrar os fruticultores na gama de benefícios previstos pelo dispositivo.
A associação prevê a produção de 20 milhões de caixas de frutas (com 4,5 kg cada uma) na safra 2008, contra 17 milhões registradas no ano anterior. O diretor de uma empresa local, Fabiano Ramos, observa que o incremento produtivo gera queda de preços no mercado interno. “Há uma série de empresas, e mesmo pessoas físicas, que vendem frutas de baixa qualidade, o que afeta quem trabalha sério”, avalia.Em relação às exportações, o desempenho do mercado baiano foi positivo em 2007, com a geração de pelo menos R$ 132 mil, contra R$ 109,5 em 2006, de acordo com o Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo).
Os produtores acreditam que o crescimento não deverá se repetir este ano, apesar da geração de US$ 19,1 milhões em exportações em 2008, com cerca de 20,2 mil quilos vendidos ao exterior.Dados referentes ao acumulado janeiro-abril. O pessimismo vem da alta nos preços dos insumos, além da valorização do real.