Experiências agroecológicas
Iniciativas para uma produção menos agressiva ao meio ambiente ainda são pontuais na agricultura baiana
A agricultura baiana se movimenta a galope com expansão registrada de 6,1% no ano passado. O destaque no agronegócio são as safras recordes de soja. Contudo, anda a passos morosos quando o assunto é projetos de desenvolvimento sustentável. São pontuais as iniciativas no campo que objetivam uma produção menos agressiva ao meio ambiente dentro de um planejamento de longo prazo.
No esteio das discussões sobre o aquecimento global e a produção dos chamados biocombustíveis, a questão da produção de alimentos entrou na pauta do dia. Os questionamentos residem basicamente neste ponto: como produzir mais e melhor sem levar o ecossistema a nocaute? Terceira colocada em desmatamento do que restou da mata atlântica, segundo dados do governo federal, a Bahia pegou com atraso o bonde da transição entre uma cultura agrícola focada em resultados imediatos e no uso intensivo de máquinas e substâncias químicas (a revolução verde) para a cultura da agroecologia.
De grosso modo, esse conceito de agroecologia engloba a utilização quase nula de agrotóxicos e adubos químicos e uma produção agrícola diversificada. Além de práticas de replantio de espécies nativas no entorno das plantações por obediência aos 20% de reserva legal determinada pela legislação ambiental. A Chapada Diamantina e o sul do estado são apontados como pólos de vanguarda, apesar do parco apoio de assistência técnica dado pelo estado.
Não existem dados concretos sobre a participação deste modo agrícola na produção geral do estado, que em termos de grãos pulou de 3,73 milhões de toneladas em 2000 para 5,58 milhões de toneladas em 2007. Os dados são da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia (Seagri).
A integrante da coordenação estadual do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, Débora Rodrigues, considera que ainda não foi resolvido o conflito entre o crescimento econômico propiciado pelo agronegócio e a necessidade de uma política voltada para o desenvolvimento sustentável. “Estamos vivendo um momento de mudança lenta, pois até mesmo os técnicos do estado e os agrônomos que saem da universidade foram formados dentro da conceito da revolução verde. Até esta mudança chegar de fato ao produtor vai um longo caminho”, explica o diretor da Superintendência da Agricultura Familiar da Seagri, Wilson Dias.
Mais verde
Farinha de osso animal, carvão, esterco de galinha e seiva de mandioca para combater as pragas. Os termos agrotóxicos e adubos químicos não existem no vocabulário dos 54 agricultores da Cooperativa Agrícola Mista Projeto da Onça, em Taperoá (litoral sul), 282km distante de Salvador). Os adubos naturais utilizados já tiveram eficácia comprovada em pesquisas da Embrapa. Eles renderam dez toneladas da safra de guaraná – cerca de R$7 o quilo – revendida aos mercados de países como Alemanha e França.
Cada vez mais valorizado em mercados consumidores importantes como o japonês e o americano, o café orgânico tem sido cultivado por associações de agricultores na região da Chapada Diamantina. A região é apontada como pródiga em experiências agroecológicas. Em Seabra – a 456km de distância de Salvador – quatro pequenos grupos uniram-se força para criar em 2004 a Cooperativa de Produtores Orgânicos e Biodinâmicos da Chapada Diamantina (Cooperbio).