O que há de bom no Recôncavo

09/06/2008

O que há de bom no Recôncavo

 

Na região do Recôncavo baiano, não se fala em outra coisa. Quem provou os quitutes, conheceu as novas tecnologias e as boas perspectivas com a cultura da mandioca aprovou e está na expectativa da próxima Expomandioca, exposição de produtos regionais oriundos da mandioca, que reuniu pequenos produtores e pesquisadores que mostraram não só para a comunidade, como para toda região, o que há de bom na cadeia produtiva do tubérculo como alternativa de renda.

A 4ª Expomandioca aconteceu em Santo Antônio de Jesus, nos dias 24 e 25 de maio, e foi um verdadeiro festival gastronômico, com produtos elaborados a partir da própria mandioca, impulsionado pelo sucesso do beiju.

Com o objetivo de incentivar a mandiocultura na região, o evento mostrou produtos regionais e artesanais e derivados de mandioca, com a participação das comunidades rurais.

Também foi uma oportunida de de bons negócios para os pequenos produtores do Recôncavo, que puderam expor seus produtos nas barracas, onde comercializaram, além de bolinhos, biscoitos e beijus, nhoque, pudim, quindins, pizza, lasanha, rocambole, licor e caldos, dentre outros pratos e bebidas.

CAPACITAÇÃO – Segundo o diretor da Secretaria de Indústria e Comércio de Santo Antônio de Jesus, Antônio Galvão, os incentivos aos pequenos produtores de mandioca tiveram início com um processo de capacitação às famílias rurais sobre a transformação dos alimentos utilizando a mandioca como a matéria-prima que deu origem a vários pratos simples e sofisticados.

“Em Santo Antônio, o que sai da terra é a mandioca, não o agricultor, que se fixa a ela com apoio das políticas públicas, como incentivos, recursos, tecnologias e capacitação”, opina.

Durante o evento, que contou com a participação de centenas de produtores rurais, instituições e autoridades de Santo Antônio e outros da região, como Tancredo Neves, Mutuípe, Ubaíra, Cruz das Almas, Ituberá e Amélia Rodrigues, os produtores também participaram de palestras, seminários abordando o desenvolvimento sustentável da cultura da mandioca.

Também teve exposição de artesanato, flores, cultura da tilápia, beijus na chapa e doces. Mas a grande atração ficou por conta dos mais diversos quitutes que têm a mandioca como matériaprima. “Até mesmo as massas dos salgados, das pizzas e pães, foram feitas com mandioca como base”, explicou Antônio Galvão, diretor de Indústria e Comércio.

A Expomandioca é realizada todos os anos pela Secretaria de Agricultura, Indústria, Comércio e Meio Ambiente de Santo Antônio de Jesus.

RESISTENTES – A Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, de Cruz das Almas, expôs no evento suas principais tecnologias para a cultura, como as variedades resistentes à seca, e diversas publicações sobre o assunto, já que pesquisa a cultura desde 1975. Joselito Mota, pesquisador da Embrapa, falou sobre a importância da raiz no desbravamento do Brasil e o crescimento do cultivo.

Joselito Mota deu como exemplo a versatilidade da mandioca, cujo uso não se restringe somente à culinária. “Abrange desde a indústria de plásticos e produtos de beleza até brocas para perfuração submarina”, ressalta.

A utilização da fécula, frisa, substituiria a farinha de trigo na panificação nacional, que passa por crise com a falta da matériaprima importada.