Brasil e EUA vão reforçar parceria na área de etanol

10/06/2008

Brasil e EUA vão reforçar parceria na área de etanol


O Brasil e os Estados Unidos, as duas maiores superpotências globais do etanol, vão selecionar nas próximas semanas os principais objetos de estudos na área de biocombustíveis de segunda geração que serão tocados em parceira entre os dois países. 

Principal produtor de etanol no mundo, os EUA acompanham de perto os avanços das pesquisas do Brasil envolvendo o bagaço da cana. Essa matéria-prima, aliás, também deverá ser estudada pelos americanos, uma vez que a produção de cana nos EUA está concentrada na região da Flórida. 

Em entrevista ao Valor, Helena Schum, responsável pela área de biocombustíveis do Laboratório Nacional de Energia Renovável, instalado no Colorado, vinculado ao Departamento de Energia dos EUA, afirma que o Brasil tem muito a contribuir para o setor de agroenergia americano. 

Em março do ano passado, os presidentes dos EUA, George W. Bush, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, assinaram um protocolo de intenções sobre o etanol. Por esse acordo bilateral, os dois países se comprometeram a discutir o mercado de etanol, com o objetivo de transformá-lo em uma commodity internacional. 

Embora disponham de recursos em torno de US$ 1 bilhão na área de pesquisas, sobretudo em combustíveis de segunda geração, ante cerca de R$ 50 milhões do Brasil, os EUA têm acompanhado de perto os avanços do país nesse sentido. "A tecnologia brasileira na área de cana é uma das mais avançadas do mundo", disse Helena Schum. 

Segundo a cientista, que é brasileira, mas há 30 anos trabalha no laboratório de pesquisas americano, os EUA poderão trabalhar na adaptação da cana-de-açúcar para ser implantada em regiões tradicionais de milho daquele país. 

Entre os dias 29 de maio e 8 de junho, uma delegação de pesquisadores americanos esteve no Brasil, onde acompanhou de perto as pesquisas brasileiras em etanol de primeira e segunda geração. Helena Schum destacou os trabalhos desenvolvidos pelos órgãos estatais, como Universidade Federal do Rio de Janeiro e Petrobras, além do setor privado, como Dedini, Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e Allelyx/Canaviallis, empresas do grupo Votorantim Novos Negócios. No ano passado, uma missão brasileira esteve nos EUA para conhecer os trabalhos dos americanos na área de biocombustíveis. 

"Agora, vamos selecionar nossas prioridades [do Brasil e dos EUA] para nos dedicarmos às pesquisas", disse a cientista. Essa lista deverá ficar pronta entre 30 e 40 dias. Segundo ela, os EUA devem continuar seu foco na produção de etanol de segunda geração a partir dos resíduos de madeira e uma variedade de capim em abundância naquele país, conhecida como "switch-grass".