Camarão está mais barato que carne de segunda

13/06/2008

Camarão está mais barato que carne de segunda 
  
  



O crescimento da produção de camarão em cativeiro nos estados do Nordeste está fazendo com que o saboroso crustáceo esteja cada vez mais presente na mesa dos baianos. Há algum tempo, o produto era considerado inacessível para uma boa parte da população. Hoje, 1kg de camarão chega a ser encontrado nos estabelecimentos comerciais de Salvador por menos de R$8, preço inferior ao de muitas carnes de segunda e até alguns cortes de frango. Nas duas maiores redes de supermercados da capital, Bompreço e Extra, o quilo do crustáceo chega a ser vendido por R$7,98 – valor 7,5% e 21%, respectivamente, mais barato do que o quilo do acém sem osso, por exemplo.

A pernambucana Noronha Pescados, que há mais de 35 anos distribui pescados para todo o país, é uma das principais fornecedoras de camarão da capital baiana. De acordo com o representante da empresa na Bahia, Heckel Pedreira, a baixa no preço do crustáceo está basicamente relacionada ao custo-benefício da produção em cativeiro. “O camarão produzido em viveiros de água doce é mais barato porque não tem período de defeso – quando a pesca é proibida para a reprodução da espécie. Além disso, entre 60 e 90 dias, ele já está pronto para consumo. É uma produção exclusivamente comercial”, afirma, complementando que outro fator que contribui para a popularização do produto é a concorrência dos supermercados.

Sem divulgar o preço que o produto é repassado para os estabelecimentos, Pedreira revela que, somente na última terça-feira, ele vendeu 12 toneladas para mercados da região metropolitana de Salvador. “Hoje, o consumo da região varia entre 20 toneladas e 40 toneladas por mês, a depender das ações promocionais dos mercados”, informa. O representante conta que o maior volume comercializado na capital e seu entorno vem de fazendas do Rio Grande do Norte e Pernambuco. “Na Bahia existem muitos viveiros, mas a maior parte da produção do estado é voltada para exportação. Às vezes, compramos de algumas fazendas particulares do litoral norte”, justifica ele.

O gerente de operações do Extra da Vasco da Gama, João Calixto, diz que recebe, em média, uma tonelada de camarão cinza por semana. Quanto às vendas, ele revela apenas que os melhores dias são sempre às quartas-feiras e fins de semana, quando o mercado faz oferta do produto. “Hoje (ontem) mesmo estamos com uma promoção, o quilo do camarão está saindo por R$7,98 e, normalmente, quando ele está por este preço, vendemos cerca de 1,5 mil quilos apenas em um dia”, destaca, informando que durante os outros dias da semana, o preço do crustáceo varia entre R$8,99 e R$9,79 o quilo, valor 16% e 6%, respectivamente, maior do que o preço do quilo da tradicional petitinga (R$10,39), por exemplo.


Carro-chefe da peixaria

Segundo o gerente nacional de compras de peixes do Extra, Luiz Roberto Baruzzi, o camarão é o carro-chefe da peixaria das três unidades da capital baiana. “Vendemos em média 16 toneladas de camarão por mês somente em Salvador”, diz. Ele afirma que a popularidade do produto está diretamente relacionada com a desvalorização da moeda americana, uma vez que, com o câmbio desfavorável, não é vantajoso exportar o crustáceo.

Entre algumas mãos que disputavam um lugar no “tabuleiro” de camarão fresco do supermercado, estavam as da assistente social Márcia de Carvalho. “Não perco uma promoção sequer de camarão do Extra. Na minha casa, todos adoram”, declara. Atenta para selecionar os maiores, ela diz que costuma comprar 3kg do crustáceo por semana. “Comia camarão uma vez por semana. Hoje, custando menos de R$10 o quilo, como pelo menos duas vezes por semana”, conta.

No concorrente ao lado, no Bompreço da Vasco da Gama, a dona de casa Milta Silveira também aproveitava a promoção para comprar o ingrediente do prato principal do aniversário do seu neto. “Sábado um dos meus 14 netos faz 29 anos, vou fazer um bobó de camarão para todos eles”, afirma ela, que praticamente todas as quartas-feiras se dirige ao supermercado para conferir o preço do produto.