Bovinocultura de corte avança a passos largos

16/06/2008

Bovinocultura de corte avança a passos largos


 

Logo após o embargo europeu à carne brasileira sob o discurso da ausência de rastreabilidade em nosso rebanho, alarmistas de plantão anteciparam a crise da pecuária nacional. Câmaras setoriais, órgãos do setor e ativistas pró-carne brasileira trataram de questionar, estudar, apresentar propostas e discutir, enquanto os importadores estrangeiros sorriam com o otimismo de quem tomaria nossas gôndolas.
Sob o nervosismo de uma possível crise, o mercado respondeu com baixas. Segundo a Scot Consultoria, alguns frigoríficos chegaram a pagar até R$ 10 a menos pela arroba. A discussão em torno da lista de fazendas aptas à exportação foi pauta dos jornais de todo o país.
Nesse período, as exportações caíram 24% em volume e, conseqüentemente, de 10% no mercado interno. Porém, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea), a arroba terminou o mês com alta de 1,45% em relação ao mês anterior, de R$ 74,40, em 31 de janeiro, para R$ 75,48, em 29 de fevereiro. Hoje, sem embargo, temos apenas 95 propriedades autorizadas a exportar para a Europa.
Como é possível, mesmo com a forte restrição dos europeus – responsáveis por 31,6% ou US$ 1,4 bilhão da receita de exportação em 2007 - que a carne bovina brasileira continue valorizada? O fato é que o pecuarista, exportador ou não, trabalha com o foco na produtividade e lucratividade.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a arroba gira acima dos R$ 80 e o mercado futuro já negocia contratos a mais de R$ 95 para dezembro. Alguns especialistas apostam na valorização do mercado, com a arroba a R$ 100 em 2009.
Neste processo, todo o mercado se aquece. A cotação do bezerro girava em torno de R$ 500 no indicador da BM&F em fins de janeiro. Hoje, chega a quase R$ 650.
Apesar do aumento nos custos de produção frente à valoriização da arroba, o crescimento de 1,6% no consumo interno previsto pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para 2008 traz uma confiança na rentabilidade da produção.
A demanda mundial permite não perder ritmo das exportações. De acordo com a Abiec, mesmo com uma retração de até 10% no volume exportado, o setor deve atingir neste ano uma receita de US$ 5 bilhões, 15% maior que o total de 2007.
O fato de termos o maior rebanho comercial e a maior pauta de exportação do mundo já não é notícia nova. A grande novidade é que temos know-how suficiente para permanecermos fortes, mesmo em momentos de supostas crises.
Não vamos nos abster de nossas velhas e urgentes metas, como a rastreabilidade - que não é luxo, e sim, fundamental na pecuária moderna, além de exigência de um mercado cada vez mais preocupado com procedência, segurança alimentar, bem estar animal e preservação do meio ambiente. No entanto, precisamos amadurecer o conhecimento sobre nossas próprias capacidades - que são gigantescas – para sermos agentes e não reféns do mercado.
Temos agora a notícia de que a OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) suspendeu o bloqueio contra a carne brasileira. Isso demonstra o quanto o planeta precisa da produção alimentícia do "celeiro do mundo", embora reforce mais uma vez que precisamos fazer a lição de casa e manter a eficiência na sanidade do rebanho e o trabalho de erradicação da febre aftosa. Depende apenas de nós transformamos todo esse potencial em divisas.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Décio Ribeiro dos Santos - Décio Ribeiro dos Santos é diretor do Agrocentro, empresa promotora da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte). )