Preço alto chegou para ficar, diz Nestlé

17/06/2008

Preço alto chegou para ficar, diz Nestlé

 

Os altos preços dos alimentos "chegaram para ficar", num momento em que os governos do mundo inteiro desviam recursos para a fabricação de biocombustíveis, para o acúmulo de estoques e para restringir as exportações, segundo Peter Brabeck-Letmathe, presidente da Nestlé SA.
Os preços dos alimentos "vão se estabilizar em um patamar mais alto, mas não nos picos que temos observado", disse Brabeck. Mesmo assim, a Nestlé, sediada em Vevey, na Suíça, não tem planos para elevar mais os preços de seus produtos este ano, disse ele.
Ministros da Fazenda do Grupo dos Oito países mais industrializados do mundo (G-8) alertaram em 14 de junho passado que a disparada dos preços dos alimentos e dos combustíveis substituiu a crise do crédito na posição de maior ameaça à economia mundial. Os preços do milho, do trigo e do arroz dispararam, elevando o rico de fome para milhões de habitantes da Ásia, segundo o Banco de Desenvolvimento da Ásia.
"Os preços de alimentos como o arroz e o trigo podem registrar altas adicionais", disse ontem por telefone Takaki Shigemoto, analista da corretora de commodities Okachi & Co., de Tóquio. As altas poderão ser puxadas pelo encarecimento do milho e da soja após enchentes registradas nos Estados Unidos, disse ele.
Os contratos futuros do arroz não-beneficiado alcançaram sua maior alta histórica, de US$ 25,07 por 100 libras-peso, em 24 de abril passado na Bolsa de Chicago (Cbot), puxados pelas restrições às exportações impostas por países como o Egito e a Índia.
Aumento dos Custos
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê para este ano ritmo mais acelerado de inflação desde 1995 para as economias mais avançadas do mundo, apesar de o crescimento ser o menor dos últimos sete anos. A alta dos preços ameaça reduzir o crescimento ao encolher os orçamentos das residências e aumentar os custos. A carestia também desencadeou protestos da Malásia à Espanha.
"Acredito que os altos preços chegaram para ficar", confirmou Brabeck a partir de Kuala Lumpur, na Malásia. "Um terço dessa alta se deve à utilização de parcela dos alimentos na produção de combustíveis. Outro terço tem a ver com decisões políticas: nós intervimos ao não permitir as exportações."
Os comentários de Brabeck ecoam uma previsão feita no mês passado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, pelas iniciais em inglês). A agência, sediada em Roma, disse em 28 de maio que os preços dos cereais se manterão altos por "algum tempo", ameaçando a estabilidade e o crescimento dos países em desenvolvimento que são mais dependentes das importações de commodities.
É possível que os países em desenvolvimento, como Eritréia, Níger e Botsuana tenham de desembolsar 33% a mais nas importações de alimentos este ano, disse a FAO em relatório.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9)(Bloomberg News)