Especialistas discutem setor baiano de biocombustíveis
A participação da agricultura familiar e a conciliação da produção agrícola voltada à energia com o plantio de alimentos estiveram no centro das discussões do II Encontro da Rede Baiana de Biocombustíveis.
Especialistas em pesquisa científica e representantes de diversos órgãos governamentais fizeram, terça-feira, um balanço do setor e apontaram as perspectivas.
O debate, que aconteceu no Centro de Treinamento de Líderes, em Itapuã, também destacou estratégias de rebater as críticas que surgem no cenário internacional de que etanol e biodiesel seriam motores da inflação mundial dos alimentos.
Biodiesel - "É fundamental o apoio a pesquisas para melhoramento da qualidade e da produtividade. O investimento em novas tecnologias para fortalecer o biocombustível é, sobretudo, uma escolha política com base técnica", defende a coordenadora do Programa de Bionergia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, Telma Andrade.
Outra preocupação é definir formas de manejo para as sementes que dão origem ao biodiesel, já que o etanol brasileiro é quase todo feito da fermentação de cana-de-açúcar, plantio consolidado no Recôncavo Baiano há mais de 400 anos.
"Existem experiências em outros estados do Nordeste com plantio consorciado de babaçu com milho e feijão. Podemos buscar um modelo que não seja baseado nas grandes propriedades e na monocultura", avalia o superintendente de agricultura familiar da Secretaria da Agricultura, Ailton Florêncio.
Álcool - Mesmo com a maior extensão territorial do Nordeste, a produção de álcool na Bahia fica atrás de Pernambuco, Alagoas e Paraíba, estados que, juntos, têm um terço do território baiano.
Os pesquisadores destacam como desafio a descoberta de meios para minimizar os gastos energéticos na produção do combustível vegetal.
Novidades como o etanol extraído da celulose e de mandioca, além da integração das usinas de esmagamento de oleaginosas com termoelétricas, também foram detalhadas.