Cultura da pinha dobra de área no estado

27/06/2008

Cultura da pinha dobra de área no estado


 

Nos últimos três anos, a cultura da pinha dobrou de área na Bahia, espalhando-se por várias regiões e gerando oportunidade de renda sobretudo para pequenos produtores. Cerca de 95% da produção é derivada da agricultura familiar, o que aumenta a importância social da produção. Só na região de Irecê, principal produtora de pinha do estado, 12 municípios aderiram ao plantio, colhendo 50 mil toneladas por ano. Para o município de Presidente Dutra, a receita de R$25 milhões resultante da última safra, em torno de 20 mil toneladas, “foi cinco vezes maior que o valor do Fundo de Participação do Município”, compara o técnico em agricultura Adão Oliveira Machado, do escritório local da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (ABDA). O município é responsável por um terço da produção da região, que soma 6.200 hectares, sendo 5.000 em regime de sequeiro e 1.200 de área irrigada. A receita total chega a R$75 milhões.

Otimista em relação à safra deste ano, Machado refez a projeção inicial de crescimento da safra em torno de 5% para 10%. “A procura está muito grande, todas as mudas já foram compradas”, justificou, frisando que o preço do quilo, entre R$1,25 e R$1,50, é considerado bom. O técnico da EBDA diz que uma das reivindicações dos produtores é por mais estudos da lavoura da pinha para inclusão do produto na lista dos pesquisados pelo IBGE na Bahia.

Adão Machado reivindica, também, pesquisas dos órgãos oficiais sobre as pragas conhecidas como “broca das frutas” e “vespa da semente”, que causaram prejuízos recentes aos produtores. Na última safra a perda foi de 5%, mas chegou a 80% há três anos. O papel da EBDA na região de Irecê, uma das mais pobres do estado, tem sido fundamental para assegurar assistência técnica aos pequenos agricultores, com áreas de dois a três hectares. Segundo Machado, essa orientação foi decisiva, por exemplo, para a prática de culturas consorciadas com a pinha, a exemplo da abóbora, melão, melancia e feijão-de-corda.

“Além de baixarem os custos de produção, já que oferecem uma renda extra, no caso do feijão-de-corda serve ainda para fixar nitrogênio no solo, tornando-o mais fértil”, explica o técnico agrícola. A empresa de fomento contribui, ainda, com a implantação do sistema de irrigação e polinização, formação de pomares, fertilização de plantas, indução floral para a polinização, seleção e comercialização da produção.