Frutas do São Francisco conquistam Europa e EUA
Produtores baianos conseguem certificação e ampliam mercado para diversos países
O passaporte para produtos agrícolas brasileiros conquistarem mercados mais exigentes, como a Europa e os Estados Unidos, é a certificação, seguindo rigoroso controle de qualidade. E o país vem se consolidando como um importante exportador de alimentos orgânicos certificados, com a produção de 300 mil toneladas, em cerca de 15 mil propriedades certificadas e em processo de certificação, que movimentam aproximadamente US$100 milhões por ano. Um mercado que cresceu 15% no ano passado e que oferece preços 30% superiores aos dos produtos convencionais. A Bahia já participa desse processo com a certificação sobretudo de frutas e hortaliças, e a meta do Sebrae é incrementar a produção como forma de incentivo à agricultura familiar, que concentra 80% do setor no país.
Um exemplo é o Programa Qualidade Total Rural (QT Rural), uma parceria do Sebrae com o Instituto Baiano de Metrologia e Qualidade (Ibametro), que tem possibilitado a certificação de pequenos produtores de frutas, verduras e hortaliças do Vale do São Francisco, ampliando o mercado interno e abrindo portas no exterior. “A certificação significa garantir ao consumidor a procedência e a qualidade orgânica dos produtos ofertados”, enfatiza Edival Passos, superintendente do Sebrae na Bahia.
O QT Rural apóia duas cooperativas de pequenos agricultores da região: a Aproac, fundada há cerca de três anos e que, mesmo timidamente, já exportou cem toneladas para Alemanha, Inglaterra e Canadá através de terceiros; e a Apra III, constituída este ano. Somadas, elas beneficiam 26 famílias que possuem em média dois hectares com produção orgânica.
Segundo Rinaldo Morais, gestor do projeto na região, os recursos empregados pelo Sebrae fazem parte do chamado Bônus Certificação, que tem uma disponibilidade de R$321 mil para apoio aos processos de capacitação e qualificação para a certificação de cadeias produtivas, incluindo assistência técnica e assesssoria à organização das cooperativas.
Programa gera mais qualidade
Para o presidente da Apra III, José Ricardo, o apoio do QT Rural é da maior importância para os pequenos produtores da região do Vale do São Francisco. “Com essa parceria vamos melhorar a qualidade dos nossos produtos e abrir novos mercados, principalmente o internacional”, acredita, observando que sem essa ajuda o escoamento da produção fica limitado ao comércio local. A cooperativa produz manga, banana, verduras e hortaliças.
Esta também é a expectativa de Balbina Carneiro, presidente da Aproac. Mesmo já tendo a certificação há cerca de dois anos, os associados passarão a contar com o processo de monitoramento, graças à parceria com o Ibametro. A meta é dobrar o volume exportado para 200 toneladas, com a abertura de novos mercados e assumindo diretamente o comércio exterior. A Aproac produz manga, coco, maracujá, banana e limão.
Na Bahia, segundo dados do Ministério da Agricultura, já receberam certificação os seguintes produtos orgânicos: abacaxi, açaí, acerola, banana, cajá, caju, cirigüela, graviola, laranja, limão, mamão, manga, mangaba, maracujá, melancia, melão, morango e uva.