Sadia investirá R$ 650 milhões em novo abatedouro de suínos
A Sadia anunciou oficialmente, ontem, que vai investir R$ 650 milhões em um complexo agroindustrial no Planalto Norte de Santa Catarina até 2010. O projeto contempla um abatedouro de suínos no município de Mafra e uma fábrica de rações, em local ainda não definido. O empreendimento vai gerar 1,2 mil novos postos de trabalho diretos e 4,5 mil indiretos. O frigorífico terá capacidade de abate de cinco mil suínos/dia e a fábrica de 60 mil toneladas de ração/mês. Do montante investido, R$ 400 milhões serão recursos da Sadia e R$ 250 milhões de produtores integrados e fornecedores. O diretor de Planejamento e Operações da Sadia, Valmor Savoldi, afirma que a fábrica de rações poderá ficar em Mafra ou em municípios da região, como Papanduva (SC) ou Monte Castelo (SC).
"Ainda não localizamos os produtores integrados e vamos nos instalar onde o custo logístico for menor", diz. O projeto prevê a implantação de um sistema de integração com 540 suinocultores, entre unidades produtoras de leitão e unidades de terminação. Savoldi diz que o status internacional de Santa Catarina, de livre de febre aftosa sem vacinação, reconhecido no ano passado pela OIE, foi preponderante na decisão da companhia em instalar-se no Estado, já que a empresa pretende exportar 90% da produção de suínos e está de olho nos mercados mais exigentes, como do Japão e da União Européia.
Com 35 mil metros quadrados de área construída, a unidade de Mafra deverá gerar uma receita anual adicional à empresa de R$ 500 milhões quando estiver operando em sua plena capacidade.
"Estamos investindo em projetos inovadores com o intuito de manter a companhia na vanguarda da competitividade", diz o diretor presidente da Sadia, Gilberto Tomazoni. Segundo ele, a nova unidade deverá ser um modelo no mercado no que diz respeito à adoção de avançados processos tecnológicos e do conceito integrado de sustentabilidade. "Nosso projeto não só atenderá como também ficará acima das diretivas internacionais que tratam dos padrões do sistema de integração e do abatedouro", diz.
O prefeito de Mafra, João Alfredo Herbst (PMDB), afirma que o investimento é uma "conquista sem precedentes" para o pequeno município, de 52 mil habitantes. "O efeito é multiplicador. Atrás da Sadia vêm transportadoras, postos de combustíveis, fábrica de embalagens, hotéis e restaurantes", diz o prefeito. A previsão é que as obras iniciem no segundo semestre deste ano com conclusão em 18 meses (início de 2010).
Segundo o prefeito, a Sadia vai instalar-se num terreno de 126 hectares, a 1,5 km distante da cidade e que a estrada de ferro, que interliga o Planalto Norte catarinense ao litoral, administrada pela ALL - América Latina Logística, passa dentro do terreno.
Mafra faz divisa, ao Norte, com o estado do Paraná e fica a 310 Km de Florianópolis. A prefeitura vai fazer a terraplanagem do terreno e asfaltar os acessos entre a fábrica e a BR-280 e entre a fábrica e a cidade. João Alfredo Herbst afirma que em Mafra há água em abundância para o frigorífico e a energia é garantida por uma linha de transmissão de 138 mil Volts.
A localização estratégica foi fundamental para a escolha do local. No seu perímetro urbano ocorre a convergência entre as rodovias BR 280 e BR 116, que ligam o Planalto Norte ao litoral de Santa Catarina e os três estados do Sul. A ferrovia da ALL possui um entroncamento em Mafra, que também interliga os três estados do Sul. Os principais portos utilizados são os de São Francisco do Sul, de Itajaí e de Paranaguá-PR.
Mafra é também uma das maiores produtoras de grãos no Planalto Norte, fato que pesou na decisão da Sadia. O prefeito João Alfredo Herbst, afirma que 65% da arrecadação do município vêm do agronegócio, com predominância da agricultura familiar, que produz soja e milho. São 4,8 milhões de sacas de milho e 3,5 milhões de sacas de soja produzidas anualmente. "Temos as cooperativas mas não tínhamos indústrias para agregar valor", diz Herbst.
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Onofre Agostini, diz que o governo ofereceu financiamentos, ontem, à Sadia, durante a assinatura do protocolo de intenções e dos principais incentivos fiscais: o Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec) e o Pró-emprego. A empresa, enquadrada no Pró-Emprego, terá tratamento tributário diferenciado do ICMS em toda a cadeia produtiva.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Juliana Wilke)