Ciclo de alta será longo, diz Rodrigues
O ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues, disse ontem, durante palestra promovida pela Câmara Brasil - Israel de Comércio e Indústria, que o atual ciclo de baixa oferta e preços altos na agricultura mundial deverá durar o dobro do tempo normal - em média de dois anos. Ele explicou que o crescimento de 7,1% ao ano, até 2013, na renda per capita dos países emergentes, contra os 2,2% dos países do G-7, será o principal fator para postergar essa situação. "Nos últimos cinco anos, o comércio nos países emergentes cresceu em média 25% ao ano, contra 12% dos países ricos", avaliou.
Rodrigues afirmou que a alta nos preços dos fertilizantes e a crescente especulação financeira no mercado das commodities foram mais determinantes para a elevação dos preços que a agroenergia. "Os Estados Unidos utilizam cerca de 20% de sua produção de milho para fazer o etanol. A redução dos estoques foi causada pelo crescimento da demanda mundial".
Segundo o ex-ministro, a commodity deste século será a energia. A estimativa do setor é de que a demanda mundial deverá crescer 55% nos próximos 25 anos. Rodrigues não acredita que o petróleo deixará de ser utilizado, porém os crescentes custos para extração devem reduzir a demanda. Avaliou ainda que a cana-de-açúcar é de longe a melhor opção para produzir etanol e o clima necessário para seu crescimento é mais abundante em países emergentes. "O Brasil vive uma oportunidade única para assumir a liderança na produção de agroenergia mundial. Essa mudança pode melhorar o equilíbrio entre países ricos e pobres", prevê.
O ex-ministro ressaltou o potencial de aumento da produção brasileira com as áreas da pecuária. Dos 200 milhões de hectares, 71 milhões de hectares podem ser revertidos para a agricultura. "Cerca de 20 milhões tem potencial para produção de cana. Com o restante podemos alcançar a produção de 300 milhões de toneladas de grãos". Rodrigues não acredita que a próxima safra será menor por causa do atraso dos recursos de financiamento, mas afirmou que para crescer é importante um melhor planejamento em infra-estrutura e logística e rapidez nas decisões.
Na solenidade foi empossado o novo presidente da Câmara Brasil - Israel de comércio e indústria, Jayro Blay. Ele disse que sua gestão facilitará o intercâmbio tecnológico na agricultura em sistemas de irrigação e vendas de fertilizantes. Em 2007, o comércio entre os países movimentou US$ 1 bilhão.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Roberto Tenório)