Embrapa pára hoje por salário 12% maior
Os 8,5 mil funcionários que trabalham nas 40 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deverão cruzar os braços a partir de hoje para reivindicar uma reposição salarial de 12%. Segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), o cálculo leva em consideração a parcela do crescimento da produção agrícola no Produto Interno Bruto (PIB) no último ano. A paralisação deverá durar até sexta-feira, quando será feita uma reunião para tomar novas decisões, e contará com a adesão dos funcionários da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
"Cada um busca o indicador que acha mais justo", argumentou Valter Endres, presidente do Sinpaf. Ele disse que caso este indicador apresente um resultado inferior no próximo ano, poderá ser substituído por outro. "A lei não permite um indexador para reajuste salarial. Portanto, o indicador poderá ser mudado".
Endres afirmou que o crescimento da produção agrícola reflete a melhoria da tecnologia empregada na produção e expressa sua contribuição para a economia do País. Além disso, explicou que mesmo com todo o investimento econômico que tem sido feito na instituição, os salários sempre ficaram em segundo plano. "Em 1995 foram proibidas as participações nos lucros com as pesquisas vendidas", reclamou.
A decisão foi motivada após a sinalização de que a empresa só estava autorizada a conceder os 5,04% de aumento, que leva em consideração o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial do governo Federal para medição das metas inflacionarias. Com isso, o andamento de boa parte dos 6 mil projetos de pesquisa que atualmente tramitam na instituição deverão ser afetados.
A Comissão de Negociação da Embrapa divulgou nota dizendo que diante da proposta de paralisação apresentada pelo Sinpaf, busca o melhor resultado para a negociação está em andamento. A expectativa é que até o final desta semana uma nova proposta seja apresentada aos empregados após uma definição com o Ministério da Agricultura, e com o Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (DEST), ligado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Roberto Tenório)