Demanda aquecida deve levar embarques de frango a US$ 6,5 bilhões

15/07/2008

Demanda aquecida deve levar embarques de frango a US$ 6,5 bilhões 

 


As vendas externas de carne de frango do Brasil subiram quase 58% em valor no primeiro semestre do ano ante igual período de 2007, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango - Abef. A receita com os embarques alcançou US$ 3,37 bilhões enquanto os volumes somaram 1,8 milhão de toneladas no período, alta de 19% em relação ao primeiro semestre de 2007. 


O presidente da Abef, Francisco Turra, disse que a demanda aquecida garantiu o aumento da receita e permitiu ao setor elevar os preços em dólar. "Considerando os problemas cambiais - o dólar perdendo força - foi surpreendente o desempenho", afirmou. Segundo Turra, a perspectiva é de que a demanda siga aquecida neste semestre. Assim, as vendas externas devem alcançar US$ 6,5 bilhões, disse o dirigente, superando os US$ 6 bilhões previstos anteriormente. 


Levando em conta apenas o desempenho de junho, os embarques de frango do Brasil somaram 330 mil toneladas, 27% mais do que no mesmo mês de 2007. Em receita, as vendas do produto totalizaram US$ 652 milhões, alta de 66% na mesma comparação. 


O preço médio do frango brasileiro na exportação em junho foi de US$ 1.974 por tonelada, alta de 30,45% sobre o mesmo mês de 2007. No semestre, a cotação média foi de US$ 1.834 por tonelada, um incremento de 32%. 


Turra disse que no segundo semestre tradicionalmente a demanda é maior, em parte por causa dos festejos do Ramadã em países muçulmanos. Além disso, o Chile abriu seu mercado para o frango brasileiro e "há boas perspectivas" de venda para a China, afirmou Turra. Segundo ele, para que as vendas de aves àquele país se concretizem falta a abertura do mercado brasileiro ao peito de frango cozido salgado chinês. 


O presidente da Abef avalia que a entrada do produto chinês não representa ameaça ao Brasil já que existe demanda na própria China e não há excedentes do produto. 


Apesar de destacar o quadro positivo para as vendas externas, Turra disse que o cenário ainda é de custos elevados na produção de frango e de dólar desvalorizado. "O câmbio continua preocupando e (...) não há cenário para queda dos grãos , no mínimo se mantém", comentou. 


Ele destacou que a produção brasileira de frango cresce no mesmo ritmo que as exportações - cerca de 20%. Se esse aumento perdurar no ano, a produção brasileira alcançará 12,5 milhões de toneladas. Isso significa chegar ao segundo lugar no ranking mundial, atrás dos EUA (16 milhões de toneladas) e superar a China, onde a produção estagnou em 12 milhões, disse Turra. (AAR)