Biogénises-Bagó investe em vacina limpa

16/07/2008
Biogénises-Bagó investe em vacina limpa
 
 

A utilização de vacinas contra a febre aftosa livres de proteínas não estruturais, o que significa a diferenciação de animais infectados de animais vacinados para demonstrar que uma região está livre de infecção viral, deverão ter comercialização obrigatória no Brasil a partir de 2009. Ontem, a Biogénises-Bagó, empresa de biotecnologia argentina, anunciou que disputará este mercado onde serão comercializadas 100 milhões de unidades só neste ano. O Brasil publicará uma Lei que obriga a utilização deste tipo de vacina a partir de 2009 com adaptação até novembro.

Segundo a Biogénises-Bagó, o processo completo do produto consumiu 10 anos. Guillermo Mattioli, presidente mundial da companhia disse que a produção já começou na Argentina numa ordem de 2 milhões de unidades mensais, isso significa que para o início da vacinação no Brasil haverá uma oferta 20 milhões de unidades em maio de 2009, quando começa a imunização de 70% do rebanho brasileiro. O Brasil consome 360 milhões de unidades da vacina tradicional, comercializada a R$ 1,10 a unidade em média. A nova vacina vai custar o mesmo preço.

Segundo o presidente da Merial Brasil, Alfredo Ihde, a empresa tem capacidade de atingir uma produção de 160 milhões de doses da "vacina limpa", como é conhecida, num negócio que pode representar até 35% do faturamento da Merial no país, o que somado com a produção da Biogénises-Bagó ainda é insuficiente para atender o mercado brasileiro que utiliza cerca de 360 milhões de doses anuais.

"A nossa intenção inicial é participar com 10% do mercado brasileiro num futuro próximo", disse Sérgio Gomes Barros, diretor de marketing da Biogénises-Bagó. Nos primeiros anos a vacina será totalmente importada da matriz mas a empresa tem planos de instalar uma fábrica no Brasil - um projeto de US$ 20 milhões e que leva um mínimo de 4 anos para ser implantado, em Anápolis, Goiás, onde já há um terreno reservado para a fábrica no distrito industrial. "Precisamos estar próximos da maior parte do rebanho e isso significa o Centro-Oeste. A sede será em Curitiba e a logística em São Paulo", disse o presidente.A nova vacina vai impedir que ocorram episódios como o reconhecimento de focos de aftosa no Paraná em 2005 sem comprovação laboratorial, quando o estado levou quase três anos para ser liberado pela Organização Mundial de Epizotias(OIE) e teve grandes prejuízos. "Em 2005 houve um foco de aftosa em Corrientes, mas um mês depois ninguém falava nele porque a Argentina utilizava esta vacina", garantiu Raul Moura Junior, diretor da Biogénises-Bagó no Brasil. Isso acontece porque ela não cria falsos resultados como as vacinas atuais, que possuem proteínas estruturais na sua composição.

A Biogénises-Bagó fatura US$ 100 milhões por ano na Argentina. A unidade brasileira fatura perto de US$ 9 milhões. No país vizinho, 50% da receita é originária das vacinas contra a febre aftosa.. A produção anual é de 200 milhões de doses e para atender esse mercado já existente serão investindos US$ 5 milhões para aumentar a produção em mais 100 milhões de doses. "Nosso objetivo é ser um dos 10 maiores fabricantes de vacinas do país", disse Guillermo Mattioli.