Restrição da UE, preço externo valorizado e escassez de gado reduzem a exportação
A escassez de animais para abate, a alta dos preços da carne bovina no mercado internacional e as restrições impostas pela União Européia fizeram as exportações brasileiras do produto recuarem de forma expressiva em volume no primeiro semestre deste ano.
De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec), nos primeiros seis meses deste ano, as vendas externas totalizaram 1,1 milhão de toneladas (equivalente-carcaça), 19% abaixo das 1,363 milhão de igual período de 2007. Os números incluem carne in natura, industrializada, miúdos, carnes salgadas e tripas.
A receita continuou a subir no semestre por conta da alta dos preços internacionais. Segundo a Abiec, as exportações totais renderam US$ 2,503 bilhões no período, 13% mais do que os US$ 2,216 bilhões entre janeiro e junho do ano passado. O preço médio da carne nesse intervalo subiu 40%, para US$ 3.564,50 por tonelada. Um ano antes, o valor médio na exportação era US$ 2.551,92.
Considerando apenas as vendas de carne in natura, houve queda de 25% nos embarques na comparação com o primeiro semestre de 2007, para 768.045 toneladas (equivalente-carcaça). A receita com as exportações do produto cresceu 10% para US$ 1,909 bilhão. A Rússia foi o maior comprador desse produto no período, com um volume de 296 mil toneladas (equivalente-carcaça), ou US$ 713 milhões.
Em nota, o presidente da Abiec, Roberto Giannetti da Fonseca, afirma que os números do semestre "refletem um período de pouca oferta de animais para o abate". Observa ainda que os preços no mercado internacional também contribuíram para a forte retração na exportação.
Os números mostram recuo significativo das vendas de carne bovina in natura para países europeus - graças à decisão da UE de limitar o número de fazendas aptas a fornecer animais para abate e venda da carne ao bloco. Os embarques para a Alemanha, por exemplo, caíram 86%, para 1.881 toneladas (equivalente-carcaça) de janeiro a junho deste ano. Em receita, o tombo foi de 79%, para apenas US$ 11,905 milhões. Outro importante comprador do Brasil, a Itália, importou 7.245 toneladas de carne in natura até junho, 84% menos que no primeiro semestre de 2007. A receita foi de US$ 34,204 milhões, queda de 75%.