Mercado de álcool ficará firme até 2009

23/07/2008

Mercado de álcool ficará firme até 2009

 

 


O mercado de álcool deve ficar firme até abril de 2009, no fim da entressafra, impulsionado pela oferta menor de açúcar no mercado internacional e pela forte demanda pelo combustível no Brasil e no exterior. "O álcool está remunerando mais que o açúcar", diz Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro. 


O preço equivalente do álcool hidratado em contratos de açúcar em Nova York está em 14,62 centavos de dólar por libra-peso; o do anidro, em 16,85 centavos. Os contratos de açúcar para março (segunda posição) fecharam ontem a 13,55 centavos de dólar na bolsa de Nova York. 


Embora a moagem de cana deva ser menor que a prevista pela consultoria, o mix de produção será alcooleiro até o fim da safra 2008/09. A expectativa da Datagro é que 61% da cana seja destinada ao álcool. Esse mix já atingiu 72% no fim dos anos 80. O processamento da cana foi revisto de 495 milhões para 480 milhões de toneladas no centro-sul. 


Segundo Nastari, a menor moagem reflete o atraso na colheita e também o menor número de usinas novas em operação neste ciclo, resultando em 32 milhões de toneladas de cana que deixarão de ser colhidas nessa safra. "Havia uma expectativa de que 35 unidades novas começariam a operar este ano, mas apenas 31 devem começar. Até o momento, só 13 deram início à moagem. Quatro usinas das 35 [duas em Goiás e duas no Mato Grosso do Sul] só começam em 2009", afirma. 


Com superávits no mercado internacional nos últimos anos, o quadro de oferta e demanda global de açúcar deverá registrar déficit a partir da safra 2008/09, que tem início em outubro e vai até setembro de 2009. "O Brasil está com a produção estagnada de açúcar há três safras", diz Nastari. 


Com isso, a combinação de menor oferta de açúcar e demanda aquecida por álcool resultará em maior remuneração para as usinas nesta safra. "Cerca de 90% a 95% das usinas já estão com os preços de exportação fixados entre 11,5 e 13,5 centavos de dólar por libra-peso, ante 9,5 e 10 centavos da safra 2007/08", afirma o especialista. 


Mesmo com uma remuneração melhor nesta safra em relação ao ciclo 2007/08, Nastari observa que os custos do setor sucraolcooleiro subiram nesses últimos anos. A Datagro estima custos em torno de 13,5 centavos de dólar por libra-peso, ante 5,5 centavos há pelo menos três anos. "Os preços dos fretes subiram quase 45% nesta safra [em relação à passada] muito e a logística de escoamento de cana, açúcar e álcool também está no limite, com a maior demanda por grãos." 


Outro fator que encarece os custos é a forte alta da taxa de elevação (transporte do álcool do terminal até o navio) no porto de Santos, que registrou um aumento de 41,9%, de US$ 15,50 por mil litros para US$ 22 por mil litros. 


De acordo com Nastari, o setor deve começar a direcionar suas estratégias para a co-geração de energia a partir do bagaço. "A co-geração deverá se transformar em terceiro negócio para as usinas." (MS)