BID empresta US$ 269 mi para novas usinas de etanol no Brasil

25/07/2008

BID empresta US$ 269 mi para novas usinas de etanol no Brasil

 

 

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou ontem um empréstimo de US$ 269 milhões para ampliar a capacidade de produção de duas usinas de etanol em Minas Gerais e uma em Goiás. É o maior investimento em biocombustíveis já feito por um banco de desenvolvimento. O BID também ajudará a levantar um segundo empréstimo, de US$ 379 milhões, de um consórcio de bancos comerciais liderado pelo francês BNP Paribas.

As três usinas, que têm projetos idênticos, estão no estágio final de construção, coordenado pela Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), uma joint venture cujo principal braço de operação é a brasileira Santelisa Vale. Cada uma das usinas terá a capacidade inicial de processamento de 2,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano e gerará a própria eletricidade por meio da queima do bagaço em usinas de 56 megawatts. O excedente será vendido para a rede elétrica brasileira.

O transporte dos 420 milhões de litros de etanol por ano, que, segundo o BID, serão destinados ao consumo interno, será feito por estradas para os centros consumidores. No entanto, segundo dados do próprio banco, a localização das usinas, nas cidades de Ituiutaba e Campina Verde, em Minas Gerais, e Itumbiara, em Goiás, foi escolhida, entre outros fatores, por facilitar o acesso aos portos de Santos e Vitória.

Ampliação

A produtora de açúcar Santelisa Vale informou que, com o empréstimo, que tem a duração de 15 anos, a capacidade de processamento das usinas deve passar para cinco milhões de toneladas de cana por ano, num prazo de três a cinco anos. A longo prazo, a expansão deve chegar a oito milhões de toneladas por ano.

– Na situação atual de altos preços de alimentos e energia, é fundamental desenvolver combustíveis renováveis que não compitam com o cultivo de alimentos – disse o presidente do BID, Luis Alberto Moreno. – Depois de examinar as dimensões sociais, econômicas e ambientais desses projetos por mais de um ano, concluímos que eles produzirão energia limpa e sustentável e proporcionarão empregos de qualidade, sem nenhum impacto sobre os preços dos alimentos.

Do gado para a cana-de-açúcar

Para o projeto, a CNAA arrendará terras de proprietários pequenos ou médios que cheguem à conclusão de que poderão ter um retorno melhor com a cana-de-açúcar do que com pastos de baixa intensidade, que é o uso predominante da terra no momento.

As novas usinas usarão colhedoras mecanizadas para mais de 90% da área cultivada e proporcionarão cerca de 4.500 empregos permanentes de alta qualidade. Elas vão reciclar toda a vinhaça (resíduo poluente da cana-de-açúcar) como fertilizante para as plantações de cana.

Em comunicado, Sylvia Larrea, líder da equipe do projeto do empréstimo do BID, disse que esse tipo de financiamento abre o caminho para um novo nível de expansão e consolidação da indústria de biocombustíveis brasileira, que, o banco espera, possa levar a novos investimentos também em outros países da América Latina.

Os novos empréstimos são parte de um programa abrangente do BID para apoiar o desenvolvimento de fontes de energia renovável e de eficiência energética em seus países mutuário na América Latina e no Caribe.

Investimentos

Minas Gerais tem recebido pesados investimentos relacionados ao setor sucroalcooleiro, devido aos fatores climáticos adequados e os baixos custos de arrendamento de terras.

Segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), o Estado deverá receber mais de R$ 10 bilhões em investimentos no setor até 2016, o que dever gerar cerca de 65 mil empregos diretos e mais de 190 mil indiretos. 31 usinas estão em fase de implantação em no Estado, e outros 15 projetos se encontram em discussão com o governo estadual.