Etanol é ponto de divergência entre Brasil e Europa
Nas negociações da Rodada de Doha resta uma questão crucial para o Brasil: o etanol. Os europeus querem transformar o combustível em "produto sensível", ou seja, su jeito à proteção. Ontem, Mar cos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açú car (Unica), incitava os ne gociadores brasileiros a não cederem à pressão. No final da noite, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, dis se que "as discussões sobre etanol estão evoluindo, sobre tudo com a União Européia", mas não revelou detalhes.
GENEBRA. Nas negociações da Rodada de Doha resta uma questão crucial para o Brasil: o etanol. Os europeus querem transformar o combustível em "produto sensível", ou seja, su jeito à proteção. Ontem, Mar cos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açú car (Unica), incitava os ne gociadores brasileiros a não cederem à pressão. No final da noite, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, dis se que "as discussões sobre etanol estão evoluindo, sobre tudo com a União Européia", mas não revelou detalhes.
Os europeus já propuseram ao Brasil uma cota que per mitiria ao país exportar para os países do bloco 1,4 milhão de toneladas com tarifas inferiores a 10%. Jank diz que, se o Brasil tiver que aceitar uma cota, terá de ser maior que esta, pois o país já exporta hoje mais de um milhão de toneladas.
O grande problema da ne gociação do etanol na rodada, segundo ele, será com os Es tados Unidos, que aplicam uma tarifa secundária às im portações do etanol brasileiro, de US$ 0,14 por litro. Os ame ricanos se recusam a negociar na OMC reduções para esta taxa. Se não houver acordo, Jank já anunciou que a indús tria de cana-de-açúcar vai en trar com uma disputa na OMC contra o país.
Outro ponto que ameaça um acordo na rodada é a con trovérsia sobre as exportações de bananas latino-americanas e africanas para a Europa. Os países de África, Caribe e Pa cífico (ACP) - que têm acor dos especiais que garantem venda com tarifa zero para a Europa - não querem que os europeus abram mais seu mer cado para outros produtores fora do grupo.