Importador ainda resiste a contrato padrão de etanol
Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro e responsável pela padronização dos contratos, as regras estão em vigor. Os contratos internacionais de comercialização física de álcool combustível já entraram em vigor no mercado global, mas ainda não vigoram em todos os negócios celebrados entre exportador e importador. Ontem, a Ietha (Associação Internacional de Comércio de Etanol) realizou o primeiro seminário de apresentação oficial desses contratos ao mercado.
Coordenado por Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, a padronização desses contratos de álcool foi concluída em outubro de 2007. Na reunião realizada em junho pelos membros da Ietha, nenhuma das 26 cláusulas estabelecidas para esse novo contrato foi alterada.
Segundo Nastari, a Ietha, entidade internacional independente, foi fundada em outubro de 2006 para promover o comércio internacional de etanol. São 26 membros, entre usinas produtoras nacionais, internacionais, distribuidoras e tradings. "A Ietha tem sede no Brasil, mas é internacional", afirmou.
Os contratos internacionais de álcool têm como objetivo padronizar as vendas no mercado global. Dados da Ietha mostram que cerca de 8 bilhões de litros foram negociados no mercado internacional em 2007. O Brasil respondeu por 31% dos negócios. Para 2008, a produção global é estimada em 64,5 bilhões e deverá crescer 159,25% em 2017, com uma oferta de cerca de 103 bilhões de litros. Estados Unidos e Brasil continuarão como os maiores players deste mercado.
De acordo com Tarcilo Rodrigues, diretor-presidente da trading Bioagência, que representa 23 usinas do país, cerca de 20% dos negócios da trading já são realizados com esses novos contratos. "Ainda há muita resistência por parte dos importadores, sobretudo da União Européia".
A trading Bioagência exportará nesta safra 2008/09 cerca de 650 milhões de litros de álcool. Se confirmadas as estimativas, será um crescimento de 10% sobre o ciclo anterior.
Pelos contratos internacionais da Ietha, a moeda em vigor é o dólar americano e os volumes foram padronizados em kilolitros. Há especificações para vendas de álcool anidro, hidratado e para fins industriais. Os padrões do etanol para fins industriais foram estabelecidos, sobretudo, por exigência dos importadores asiáticos, principais compradores deste tipo de álcool.
De acordo com Nastari, reuniões periódicas vão ocorrer para que alterações, se necessárias, sejam feitas. "As sugestões vão ocorrer no dia-a-dia", disse.