Criadores esperam mais ação do novo ministério
De olho nas oportunidades que o mercado internacional de peixes marinhos proporciona, criadores brasileiros aguardam que o recém-criado Ministério da Pesca contribua para diminuir a burocracia e, com isso, acelere a autorização para o uso de áreas oceânicas. Sem o que, a atividade não é competitiva. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a demanda não atendida anual de pescado é de 20 milhões de toneladas. Estima-se que o setor movimente US$ 70 bilhões anuais.
"É uma receita pelo menos três vezes superior à do boi", afirma Reinaldo Pinto dos Santos, presidente da Associação Brasileira de Produção de Peixes Marinhos (Abrapema). Ele observa que o consumo no Brasil é pequeno por questões culturais e alerta que a costa brasileira já está saturada em virtude da forte exploração. "Nosso consumo é oriundo da pesca extrativista de pequeno porte. A pesca oceânica e o cultivo fechado ainda são pouco utilizados no País. Isso reflete o atraso tecnológico do setor", avaliou.
Santos acrescenta que a criação do ministério chega em boa hora e que os principais gargalos são o excesso de burocracia na autorização para uso de águas oceânicas e a falta de crédito para o setor. "Este último parece que já está equalizado. Vamos ver como ficará a burocracia". No que diz respeito ao potencial de produção do setor, o representante disse que o bejupirá, peixe oceânico de carne branca, é um concorrente de peso. Disse que enquanto o salmão demora 30 meses para atingir 3,5 quilos, o bejupirá chega aos 7 quilos em doze meses. "Sem contar que vale três vezes mais porque a carne branca é considerada nobre", enfatizou.
A Abrapema estima que se o setor conseguir ocupar apenas 1% da demanda não atendida do mundo nos próximos cinco anos, a receita deverá atingir US$ 2 bilhões com uma produção de 200 mil toneladas por ano e gerar cerca de 20 mil empregos diretos. O presidente da instituição rebateu as acusações de que o cultivo traria prejuízos ecológicos. "Se dependêssemos de carne vermelha por meio da caça estaríamos passando fome", ironizou. Ele afirmou que os produtores seguirão todos os critérios de sustentabilidade para evitar grandes prejuízos ao meio ambiente.
Atualmente existem duas empresas pioneiras no setor que aguardam a cessão oceânica para cultivar o bejupirá em áreas fechadas: a TWB e a Aqualíder.
A TWB espera há quatro anos a autorização para o uso de área de 8,4 hectares na região de Ilha Comprida (SP). A expectativa é que o contrato seja assinado em 60 dias e as atividades iniciem até o fim do ano. Segundo Luiz Eduardo Anchieta da Silva, gerente do projeto, existe uma área de 54 hectares na Bahia para ser aprovada. Isso deve gerar uma produção de 100 mil toneladas e um faturamento de US$ 1 bilhão. Manoel Tavares, diretor da Aqualíder, revela que a empresa assinará o contrato de cessão nos próximos meses para uma área de 169 hectares. Com isso, espera uma produção de 10 mil toeladas por ano a partir do terceiro ano.