Regras rígidas dificultam retomada
Prodapys, que teve seis casas de mel (local onde se realiza a extração do mel do favo) habilitadas pelo Ministério da Agricultura para exportar à UE, Minamel, com cinco casas, e Apidouro, com oito, deverão ter vantagens no esforço brasileira em retomar o mercado da UE.
É no que acredita o presidente da Confederação Brasileira de Apicultores (CBA), José Gumercindo Cunha, para quem, após o fim do bloqueio europeu, houve um "embargo nacional" a partir das novas regras para a exportação para a Europa. Ele não é contra as normas, mas afirma que elas são difíceis de serem cumpridas. Diferentemente das três empresas já habilitadas, Cunha diz que, para a CBA, a reconquista da UE demorará mais. "Podemos levar alguns anos para voltar ao forte volume de exportação que já mandamos", diz.
O governo contesta que tenha havido qualquer "embargo nacional". Leandro Feijó, da coordenação de controles de resíduos e contaminantes do Ministério da Agricultura, diz que desde 2006 sabia-se da necessidade de adequação, e que muitas empresas esperaram o fim do embargo para isso. Além das três habilitadas, há oito empresas em processo de habilitação.
A Europa brecou as exportações brasileiras em março de 2006. Com a reabertura, em 14 de março passado, só as empresas que passaram a seguir as novas regras passam a exportar. Entre as exigências, está um registro ER (Estabelecimento Relacionado) das casas de mel, que determina se a instalação pode comercializar mel para um entreposto exportar para a UE. Para a presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel), Joelma Lambertucci de Brito, este é o principal freio para a retomada.
"É o maior gargalo. As instalações têm que ter pé direito de três metros de altura, lava-botas, banheiro independente para homens e mulheres, equipamentos em inox e azulejo na parede em 1,5 metro de altura, uma situação que ficou difícil para a realidade do apicultor", diz ela. Segundo Joelma, há no máximo dez casas de mel nesta situação hoje. "Se continuarem essas regras, não dá para prever quando vamos de fato voltar a exportar grandes volumes para a Europa", afirma ela, que defende uma flexibilização das normas.
A maior parte dos apicultores do país é de pequeno porte, dono de 4 a 100 colméias, segundo o Sebrae. De acordo com a Abemel, há no país 350 mil produtores que têm o mel como atividade complementar. (VJ)