Florestas plantadas: aliadas poderosas

04/08/2008

Florestas plantadas: aliadas poderosas


 

As ameaças do aquecimento global e uma maior preocupação dos países com os recursos naturais ajudam a fortalecer a antiga polêmica em torno das florestas plantadas. São elas, afinal, vilãs ou heroínas da ecologia? Sustentabilidade é a resposta das empresas do ramo para encerrar a discussão, apresentando essa monocultura como aliada e não inimiga do meio ambiente.

Graças a cuidados e avanços técnicos do cultivo florestal, cada eventual dano à natureza seria compensado por benefícios ao clima, à fauna e à flora, ao contrário de outras atividades do campo, sem falar das urbanas.

“As florestas nativas, antes abundantes, são indispensáveis para preservar a biodiversidade.

Esse retrato faz das plantações florestais garantia de matériasprimas essenciais, como madeira e celulose”, diz César Augusto dos Reis, da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas (Abraf).

O personagem central dessa questão é o eucalipto, cuja produção cresce rápido no Brasil ao ritmo ditado pelas crescentes oportunidades do mercado mundial. A Bahia, com empresas como a Veracel, é um dos Estados de maior destaque no cultivo da árvore que serve de base para uma cadeia produtiva complexa, muito além de madeira, celulose e carvão. Em termos de área reflorestada, a Bahia disputa o primeiro lugar com São Paulo, com 30% do total.

DECISÃO – Mas as agressões à vegetação nativa prometem embates ainda mais acirrados. A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça condenou, no início de julho, em Eunápolis, a Veracel Celulose a pagar R$ 20 milhões por danos ambientais causados pela plantação de eucalipto em área de remanescente de Mata Atlântica, no extremo sul da Bahia.

Os recursos serão depositados em um fundo da União para reparos ao meio ambiente. Ela foi também condenada a retirar a floresta de eucalipto nos municípios de Santa Cruz Cabrália, Belmonte, Eunápolis e Porto Seguro, e a recompor a área com vegetação nativa de Mata Atlântica, no prazo de até um ano. A antiga Veracruz Florestal pode recorrer da decisão.

O País produz 12 milhões de toneladas de celulose, o dobro do que consome. Mas está pronto para ir mais longe. O setor florestal movimenta US$ 28 bilhões, ou 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega 4,6 milhões de pessoas, 4,4% da população economicamente ativa.

Seus bons números devem-se às condições climáticas do País e à tecnologia desenvolvida pelas empresas e instituições nacionais de pesquisa. Nos Estados Unidos, o custo para produzir uma tonelada de celulose é de US$ 304. No Brasil, US$ 157.

BALANÇA – O setor de papel e celulose respondeu por 18% do superávit da balança comercial brasileira (US$ 11,3 bilhões) no primeiro semestre deste ano, com cerca de US$ 2 bilhões.

Os bons resultados devem-se, sobretudo, ao aumento das exportações de celulose que, de janeiro a junho, atingiram o patamar de US$ 1,79 bilhão, montante 27,3% superior à comparação com US$ 1,41 bilhão de igual período de 2007.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a China foi um dos destinos principais da celulose brasileira na primeira metade de 2008. O valor das exportações somou US$ 358,1 milhões, 90% a mais que mesmo período do ano passado.

PECUÁRIA – Para Vanderley Porfírio da Silva, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Curitiba, a concorrência das florestas plantadas com a pecuária vai dar lugar à cooperação. “A sociedade espera que todos venham de sistemas ambientalmente corretos e compatíveis entre si”.

Estima-se que a produção pecuária nos países emergentes dobre até 2020, chegando a ser metade do produto agrícola mundial de 2030. O setor responde por 3,4 bilhões de hectares (pastagens permanentes), mais do dobro da área de cultivo agrícola.

Por outro lado, a Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que, em 2030, o consumo de toras de madeira no mundo será 60% maior do que o atual, chegando a 2,4 bilhões de m³.