Transgênicos serão liberados para exploração em três anos

04/08/2008

Transgênicos serão liberados para exploração em três anos


 


A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberou, recentemente, 12 experimentos de campo com variedades transgênicas de eucalipto.

Essa é a última etapa da pesquisa antes do pedido de uso comercial.

A expectativa é que o Brasil tenha eucalipto transgênico liberado para a exploração do mercado em até três anos.

O País já tem vantagens competitivas na área florestal e poderia ganhar produtividade ainda maior com a melhoria da qualidade da madeira, aumentando a quantidade de celulose e reduzindo a de lignina, substância que dificulta a extração de celulose do eucalipto comum.

A lignina atua como cola entre as fibras vegetais e precisa ser removida para garantir a qualidade do produto final. A remoção envolve processos químicos, elevado consumo de energia e ainda gera perdas de celulose.

TESTES – Segundo a CTNBio, os testes com variedades transgênicas revelaram árvores com crescimento mais rápido, resistentes a pragas e a doenças e tolerantes a adversidades naturais, como seca e frio. Além disso, como não há espécies nativas de eucalipto no Brasil, está afastado o risco de cruzamento com árvores geneticamente modificadas.

Os pesquisadores lembram que as experiências também proporcionarão oportunidades ambientais significativas, não só pelo uso menor de recursos químicos e enérgicos na indústria da celulose, mas também pela redução de resíduos tóxicos.

“MITOS” – Os prejuízos para o solo, recursos hídricos e biodiversidade causados pelas florestas plantadas de eucalipto criam verdadeiros desertos verdes. Essa tese defendida por ecologistas é contestada com números por pesquisadores e produtores do setor florestal, que chamam tais acusações de “mitos do eucalipto”.

Eles acrescentam que florestas renováveis representam a melhor solução para aliviar a pressão sobre as matas originais remanescentes.

Com planejamento, um hectare de floresta plantada de eucalipto produziria igual quantidade de madeira que 30 hectares de florestas tropicais nativas. Segundo a Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), dos 300 milhões de metros cúbicos de madeira consumidos por ano no brasil, somente 100 milhões vêm de plantios.

As empresas florestais reconhecem que qualquer monocultura sem critérios ambientais é muito prejudicial ao meio ambiente.

No caso do eucalipto, são necessários meios para integrar plantações ao meio natural, mantendo a biodiversidade de áreas plantadas através da seleção de solos aptos ao plantio, preservação de mananciais e matas ciliares, fixação de corredores de vegetação natural para movimentação da fauna, dentre outras práticas.

Nas propriedades destinadas ao cultivo do eucalipto, devem ser mantidas matas nativas para compor áreas de reserva legal (mínimo de 20% da área), protegidas contra caça e pesca ilegal, corte de árvores e incêndios. Mas isso também não é suficiente para acabar com os “mitos”.

CONVIVÊNCIA – Os primeiros anos de cultivo impedem a entrada de luz suficiente para o aparecimento de certas plantas.

A diferença estaria no convívio entre floresta plantada e bosques integrados. Por fim, o eucalipto também remove gás carbônico (CO2) da atmosfera, contribuindo para minimizar o efeito estufa, e protege os solos contra processos erosivos.

Origem Austrália e ilhas da Oceania, onde existem mais de 600 espécies. O eucalipto (Eucalyptus) começou a ser trazido para o Brasil há pouco mais de 200 anos Construção O eucalipto serviu para a produção de dormentes das linhas férreas brasileiras. Faz parte da paisagem nacional, ao lado de culturas como café e trigo (Oriente Médio) R e f l o re s t a Nenhum gênero foi tão largamente plantado no mundo como o eucalipto, com 6 milhões de hectares em todos os continentes, metade no Brasil Potência O País é líder na produção de biomassa florestal para celulose e papel devido ao melhoramento genético e à produção de mudas por sementes e clonagem Espécies Das mais de 100 espécies de eucalipto plantadas no Brasil, o tipo grandis é a mais comum (55%), seguido pelo saligna (17%) e urophylla (9%)