Indústria baiana cresce 4,6%
A produção industrial baiana recuou em junho deste ano, fazendo com que o mês apresentasse queda de 2,9% em comparação a maio e de 1,3% em relação a junho de 2007. Com isso, a indústria na Bahia fechou o semestre com crescimento de 4,6%, abaixo do índice nacional de 6,3%.
Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ontem divulgou os mais recentes resultados da Pesquisa Industrial Mensal.
Na “balança” da indústria baiana, segundo o IBGE, dois setores foram fundamentais para o os índices registrados em junho.
A queda da produção foi provocada, principalmente, pelo setor químico, que teve queda de 20% em relação ao mesmo mês do ano passado. Por outro lado, as indústrias de celulose e papel apresentaram um desempenho positivo de 42,6% na mesma comparação, evitando que a retração da produção industrial na Bahia fosse maior.
A pesquisa do IBGE indicou ainda que a indústria baiana obteve crescimento de 4,1% nos últimos 12 meses, também abaixo do nível nacional de 6,7%.
“Apesar dos índices negativos, a situação não é de alarde, pois o mau desempenho de junho já era esperado”, avaliou o economista Marcus Verhaine, da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). Ele explicou que o recuo da indústria química se deu por causa de uma paralisação ocorrida na Braskem, uma das mais importantes empresas do setor. “Entre 22 de maio e 27 de junho, a produção da unidade de etileno esteve parada para procedimentos de manutenção, algo programado há meses”, ressaltou Verhaine.
Em relação ao crescimento do setor de celulose e papel, o economista destacou que o salto na produção foi conseqüência da entrada em operação, em agosto do ano passado, de uma nova unidade da Suzano Papel e Celulose, instalada no município de Mucuri, no sul da Bahia.
Para o cenário dos próximos meses, Verhaine afirmou que a expectativa é a retomada do crescimento do setor químico, entretanto em níveis inferiores ao segmento de papel e celulose. “Até o momento não foram anunciados grandes investimentos por parte das empresas químicas, enquanto as indústrias de celulose estão em plena expansão”. A perspectiva de desenvolvimento da celulose e papel se baseia nos anúncios feitos pelas principais empresas do setor. Recentemente, a Suzano assegurou o investimento de US$ 500 milhões para a ampliação da sua unidade em Mucuri e a Veracel divulgou que, até 2001, entrará em operação uma nova unidade em Eunápolis, com investimentos da ordem de R$ 4 bilhões.
“Além disso, a Bahia Pulp está com uma nova fábrica em fase de testes”, informou Verhaine.
OUTROS ESTADOS– Entre os 13 Estados pesquisados pelo IBGE, o Espírito Santo foi o que apresentou maior crescimento no primeiro semestre de 2008 em comparação ao mesmo período do ano passado, com alta de 16,1% impulsionada, principalmente, pela indústria de extração mineral (20,5%). Já o menor crescimento foi registrado por Santa Catarina (1,3%), tendo como principal fator a queda de 23,6% da indústria madeireira.
Além dos Estados, a pesquisa mensal avalia também o desempenho da Região Nordeste como um todo, com os dados de junho revelando que o conjunto dos Estados nordestinos obteve o mesmo índice de crescimento registrado pela Bahia (4,6%) na comparação entre os semestres.
Em relação a maio, a produção industrial do mês de junho na região apresentou queda de 0,6%. Tendo como como referência junho de 2007, o recuo foi um pouco maior, ficando em 0,7%.
O desempenho do Nordeste só não foi pior porque Ceará e Pernambuco tiveram índices positivos.
A indústria cearense cresceu 5,7% entre maio e junho e chegou a 4% de incremento comparandose os meses de junho.
Na relação entre os semestres, o Ceará também ficou abaixo do nível nacional, com crescimento de 2,6%. Já a elevação de Pernambuco ficou em 7,9% no primeiro semestre, 0,9% entre maio e junho e 1,8% comparando-se os meses de junho.
AGRO INDÚSTRIA – O IBGE também divulgou, ontem, os índices nacionais da agroindústria, que revelaram um crescimento de 4,2% no primeiro semestre de 2008 em relação ao mesmo período de 2007. Os principais fatores foram o crescimento da safra, o aumento do consumo interno, por conta da expansão da renda, e alta do volume exportado e dos preços no mercado inter nacional.