Alta do dólar derruba commodities nos EUA

11/08/2008

Alta do dólar derruba commodities nos EUA


 


Os relatórios que têm atestado clima favorável nas regiões produtoras de grãos dos Estados Unidos, que puxaram boa parte da recente onda de desvalorização das commodities agrícolas, ganharam na sexta-feira um "aliado" para pesar ainda mais sobre os preços. O dólar, fortalecido, dominou as atenções dos investidores. 


A semana já havia sido de preços descendentes. Com o fortalecimento da moeda americana, os contratos de soja com vencimento em setembro caíram 57,50 centavos de dólar na bolsa de Chicago, para US$ 11,77 por bushel. O papel acumulou na semana perda de 13,1% e liderou as baixas do "trio de ferro", formado também por milho e trigo, negociado em Chicago. 


Com declínio de 11,4% acumulado na semana, o contrato de milho para dezembro caiu 23,75 centavos de dólar, para US$ 5,1825 por bushel. O fortalecimento do dólar reduziu o apelo das commodities agrícolas como instrumento de proteção contra a inflação, o que motivou a acentuada liquidação de papéis. 


A desvalorização do trigo na semana não foi tão acentuada quanto a de soja e milho, mas, na sexta-feira, além do dólar mais forte, influenciou o desempenho da commodity a melhora da expectativa com a produção de trigo na Austrália. Com as chuvas registradas em julho, o país, sexto maior exportador mundial do cereal, deve colher 25 milhões de toneladas, informou a Bloomberg. 


A previsão, apresentada pela ProFarmer Australia, é superior à feita pelo governo, de 23,7 milhões de toneladas. Na semana passada, o Rabobank já havia apresentado expectativa de produção de trigo no país entre 20 milhões e 24 milhões de toneladas. 


Na bolsa de Chicago, os contratos de trigo para dezembro recuaram 56,75 centavos de dólar na sexta-feira, para US$ 7,9025 por bushel - na semana, o papel caiu 3,5%. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, a baixa na sexta-feira foi de 50 cents, para US$ 8,2075 o bushel. Na semana, a queda foi de 3,3%. 


Ainda que a alta do dólar tenha dominado as atenções, o clima manteve-se sob os holofotes. Os investidores aguardam o anúncio, amanhã, das novas estimativas de produção a serem apresentadas pelo Departamento de Agricultura americano (USDA).