Produtores que conquistam, mas o preço ainda é alto
Depois de ensaiar um rompimento da histórica barreira de rejeição ao leite de cabra, nos últimos cinco anos, o consumidor do sudoeste baiano assiste à redução na oferta, condicionada pelos elevados custos do produto nas prateleiras e migração do rebanho baiano para abatedouros ou produtores do norte de Minas Gerais.
O produto caprino chegou a conquistar generosa fatia do mercado em 2003, favorecido por ampla campanha sustentada por diferenciais nutritivos, vitaminas, sais minerais e maior digestibilidade em relação ao produto bovino.
O principal entrave, concordam consumidores, é o elevado custo do produto, que chega a custar até R$ 5 o litro, em embalagem longa vida, enquanto que a mesma quantidade do de bovino oscila entre R$ 1,50 e R$ 2,50.
Comparado com o leite em pó, o susto para o consumidor é ainda maior. De acordo com pesquisa em supermercados de Conquista, 400 gramas de leite em pó caprino custam três vezes mais que o mesmo volume do de vaca, cujo valor médio é de R$ 7.
INCENTIVOS – Os produtores se defendem e culpam a falta de incentivos e as barreiras impostas pela legislação vigente. "Precisamos do apoio de órgãos estaduais para incentivarmos e divulgarmos o leite de cabra. Nossa legislação atrapalha, pois ainda exige instalações comparadas à dos bovinos", comenta o produtor Denes Walasse.
Embora tenha alterado todas as características da sua área de produção de leite de cabra, com equipamentos de ponta, pensa em suspender a atividade completamente.
Sustenta que a região não tem demanda para se ter um laticínio nos moldes exigidos pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB).