Encolhimento do setor favorece Minerva
O figorífico Minerva, que registrou aumento de 87% na receita líquida no segundo trimestre deste ano, está sendo beneficiado pelo "encolhimento" do setor de carne bovina, admitiu sexta-feira seu diretor-presidente Fernando Galletti de Queiroz. "É benéfico para nós e para o mercado. [O mercado] se torna mais maduro e mais saudável, ajuda a formalização", disse sobre o movimento atual de consolidação no setor de frigoríficos de carne bovina por conta, principalmente, da escassez de boi gordo.
Ele reconheceu que graças, em parte, à menor concorrência o Minerva obteve um desempenho favorável no trimestre. E sua previsão para este semestre é que a concorrência continuará a diminuir, diante de um cenário "turbulento, difícil", que afeta principalmente pequenas e médias empresas do setor. "Só empresas estruturadas, mais planejadas vão se perpetuar nesse mercado".
Conforme balanço divulgado pelo Minerva, a receita líquida no segundo trimestre alcançou R$ 569,1 milhões, impulsionada principalmente pelas vendas no mercado interno, que cresceram 132,6% no período. A empresa fez uma reestruturação logística, o que melhorou a distribuição no varejo, segundo Queiroz.
O aumento das vendas para o mercado doméstico foi uma forma de o Minerva driblar as restrições às exportações para a União Européia. E apesar delas, a empresa também conseguiu ampliar a receita com as vendas externas de carne em 45,7%, para R$ 314,3 milhões no segundo trimestre.
Outro ponto que favoreceu o Minerva, conforme Queiroz, foi que a empresa conseguiu utilizar 83% de sua capacidade de abate no período, enquanto o setor no país, de uma maneira geral, vem operando com ociosidade elevada.
O resultado mostrou um um EBITDA de R$ 47 milhões no trimestre, alta de 68,5% sobre o mesmo intervalo de 2007. Já o lucro líquido ajustado (excluídas despesas com emissão de bonds) foi R$ 19,4 milhões, 11% menos que de abril a junho de 2007. Reflexo de custos mais elevados, a margem líquida do Minerva foi de 3,4%, bem abaixo dos 7,2% de igual intervalo de 2007.
Segundo Queiroz, uma das saídas para enfrentar custos maiores foram as compras de gado à vista, com descontos de 2% a 3%. (AAR)