Grãos: beneficiar para desenvolver
Eujácio Simões
Em 2007, cerca de 54% dos grãos nobres (soja, milho e caroço de algodão) colhidos no oeste baiano não tiveram qualquer beneficiamento, deixando, mesmo primariamente, de transformar-se em alimentos no Estado. As empresas transnacionais levam 70% da nossa soja, em grãos ou farelo, para várias partes do mundo, tornando-a base de rentável produção de proteína animal em países que nem cultivam o vegetal. A produção de milho em grãos e caroço de algodão é quase toda processada ou industrializada em outros Estados, retornando para ser consumida ou servir de ração animal.
PROJEÇÃO – Neste ano, a safra desses grãos é recorde, cerca de 4,8 milhões de toneladas, com projeção de, ano após ano, superarse. Esta falta de processamento dos grãos na Bahia agrava um quadro inaceitável do ponto de vista econômico, levandose em conta, também, o atual parque de beneficiamento e a aparente falta de intenção, pelos empresários, de aumentá-lo.
Em contrapartida, todos os estudos sobre economia mundial mostram que, entre os países líderes na produção agrícola, Brasil e Argentina serão os únicos a crescer suas produções de grãos. Neles, são defendidas estratégias para solidificar o crescimento, com verticalização das cadeias produtivas, destinadas a garantir segurança alimentar interna e, ainda, estabelecer alto poder de pressão no comércio exterior, promovendo ampla inclusão social, através da geração de emprego e distribuição de renda.
Defendendo tese idêntica para a economia baiana, o governo do Estado já vinha atraindo investimentos para promover o beneficiamento de grãos na região oeste. Já obteve a vinda de duas processadoras de grãos de milho para fabricar 242 milhões de quilos/ ano de produtos alimentícios (flocos, fubá, cuscuz), destinados ao consumo interno e suprimento de outros Estados, com a geração de 1,1 mil empregos.
Através do Programa Bahiabio, atraíram-se indústrias que poderão produzir 525 milhões de litros/ano de óleo degomado, matéria-prima para o biodiesel.
Essas indústrias têm previsão de gerar 500 empregos nas plantas industriais. Elas irão absorver todo o nosso caroço de algodão e, ainda, importá-lo de outros Estados, invertendo o quadro desfavorável.
Ao lado disso, busca-se atrair fundos de investimentos interessados em implantar modernos megacomplexos industriais integrados a granjas de engorda de animais.
De modo competitivo, esses complexos transformarão grãos de soja e milho em proteína animal – avícola, suína, bovina –, agregando valor aos bens finais, com estimativa de a região produzir 1,2 bilhão de quilos/ano de carnes, quantidade suficiente, considerando-se a média per capita brasileira, para atender ao consumo anual do dobro da população baiana.
RAÇÃO – A demanda por ração animal alavancará mais a produção de grãos, levando à duplicação do volume de milho em grãos, estimandose que serão gerados, para operação dos complexos e seus integrados, em torno de 15 mil empregos diretos.
Por fim, não se poderia deixar de registrar o papel histórico e corajoso dos oriundos de outros Estados, principalmente do centro-sul, que viabilizaram o aproveitamento sustentável do nosso cerrado, mas o dever da Bahia é garantir, para benefício de sua gente e economia, o desenvolvimento de cadeias produtivas com os frutos da terra, gerando alimentos ricos e baratos, com capacidade de competir no mercado inter nacional.