Toda uma técnica a favor da mandiocultura traz ganhos nas lavouras

25/08/2008

Toda uma técnica a favor da mandiocultura traz ganhos nas lavouras

 

No assentamento Ibiruçu de Dentro, região de Porto Seguro (707 km de Salvador), produtores rurais cultivam mandioca com ajuda de técnicas de profissionais da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, sediada em Cruz das Almas.
Os pesquisadores mostram que também possuem conhecimentos adquiridos com a experiência, o dia-a-dia do plantio. É com pesquisa e projetos desenvolvidos especificamente com a mandioca que a Embrapa procura levar até os produtores conhecimentos sobre cultivo da mandioca, aliando visitas técnicas a cursos para extensionistas e técnicos da região.
De acordo com a pesquisadora Arlene Gomes, dentro do projeto “Inserção e competitividade do agricultor familiar do extremo sul da Bahia no agronegócio da mandioca e do abacaxi”, liderado por ela, cabem atividades que revelam os resultados de experimentos conduzidos na região sobre adaptação de variedades de mandioca, correção da deficiência nutricional em manganês e sistema de cultivo para solos com impedimentos físicos, muito comum na região.
A espécie mais plantada ainda é a do tipo manteiguinhaamarela, que, dizem os agricultores, cozinha mais rápido, a preferida do consumidor.

TRABALHO – Na área onde vive desde 1982, Ana Peixoto de Amaral, junto com os filhos, planta mandioca e muitas outras culturas consumidas pela própria família e vendidas em feiras e mercados de Porto Seguro.
“Vivemos aqui sempre trabalhando na agricultura e não consigo imaginar minha vida fora da roça”, afirma a senhora, que tem 60 anos.
Nilson Ferreira do Amaral, um dos filhos de dona Ana, fala sobre como consegue desenvolver técnicas para o manejo da cultura a partir de observações feitas empiricamente. “Em nossa área, não entra arado, a terra é preparada com grade. Sabemos onde a terra está melhor para o plantio. Aproveitamos toda a terra que temos, não tem como deixar terra vazia”, frisa. Nas dez tarefas que tem plantada de mandioca, a cultura é consorciada com feijão, também cultivado em áreas desocupadas.

TÉCNICAS – Segundo a análise feita pelo pesquisador da Embrapa Miguel Angel Dita Rodrigues, a produção de Nilson do Amaral é boa para a situação observada na região, e mostra que tem influências técnicas podendo ser vistas na aplicabilidade do campo.
“Ele plantou as duas variedades.
Mas, apesar do que indicam as pesquisas de mercado, apontando a mandioca de mesa como a preferida e de maior procura, ele preferiu investir mais na mandioca para farinha”, afirma Miguel Rodrigues.
Algumas doenças, observa Rodrigues, impossibilitam o crescimento da mandioca e, como o preço de mercado depende muito de sua qualidade, os agricultores que vendem o produto em sua área cotam a R$ 0,50 o quilo e na feira a R$ 1. A diferença de valores entre o que vai para a mão do agricultor que consegue retirar de 30 kg a 40 kg por hectare e o que fica com o dono de bar e restaurante está na casa de R$ 4 a R$ 5.

APRENDIZADO – Em visitas à região, pesquisadores observaram a necessidade de capacitar os produtores, diante de vários problemas identificados nos cultivos (pragas, doenças e deficiências nutricionais).
Carlos Estevão Leite Cardoso, pesquisador da Embrapa e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP), explica que a Embrapa vem desenvolvendo, desde 2001, trabalhos com agricultores familiares do extremo sul .
“Para alguns problemas de cultivo da mandioca na região, existem tecnologias que podem ser testadas e validadas. Para outros, é necessário desenvolver algumas tecnologias, ou promover pequenos ajustes”, afirma o pesquisador.
As tecnologias introduzidas nos sistemas de produção, diz, necessitam ser avaliadas economicamente, para que realmente possam contribuir para a inserção dos agricultores no agronegócio da mandioca.