Lucro de matéria-prima para adubo mais que dobra no 2º- tri

27/08/2008

Lucro de matéria-prima para adubo mais que dobra no 2º- tri

 

Em todo o mundo, as companhias produtoras de matéria-prima para fertilizantes tiveram lucros superiores a 100% no segundo trimestre deste ano, na comparação com mesmo período de 2007. A Mosaic Company, uma das líderes mundiais neste setor, foi a que registrou o maior crescimento no meses em questão. O EBITDA (lucro antes de impostos, depreciação e amortização) saiu de US$ 407 milhões no segundo trimestre de 2007 para US$ 1,379 bilhão neste ano, uma variação de 225%.
Os resultados, segundo informações divulgadas pela companhia, se devem à forte demanda dos clientes agrícolas, que elevaram os preços dos fertilizantes que, no Brasil, somente de janeiro a junho, aumentaram 50%. E a tendência, segundo Solange Stumpf, sócia-executiva da Maxiquim Consultores, é de que os preços dessas matérias-primas continuem firmes. "De forma geral, a maior parte das matérias-primas para fertilizantes deriva de gás natural, cuja produção não tem perspectiva de aumentar no médio prazo", afirma a especialista da Maxiquim.
A Potash Corporation of Saskatchewan Inc. (PotashCorp), maior fabricante mundial de fertilizantes, também registrou no segundo trimestre um EBITDA de US$ 1,379 bilhão, 178% mais que no mesmo período de 2007. Já a Yara teve um EBITDA mundial, no segundo trimestre deste ano, de US$ 1,172 bilhão , 183% maior que os US$ 413 de igual período de 2007. Em seu balanço, a companhia delega ao bom desempenho a forte expansão da demanda e das margens de uréia e nitrato.
Companhias nacionais
No Brasil, as empresas com capital aberto também seguiram o mesmo ritmo de luro. A Fosfertil registrou um EBITDA de R$ 629,2 milhões no segundo trimestre, 96% maior que no mesmo período de 2007. Na seqüência está a Fertilizantes Heringer, que teve seu EBITDA evoluído de F$ 48 milhões para R$ 130 milhões, acréscimo de 170%, na mesma comparação.
Marcelo Brisac, analista de Recursos Naturais da Itaú Corretora, afirma que os fundamentos para o setor de fertilizantes continuam positivos e que, por isso, o target price das ações da Fertilizantes Heringer para o final do ano é de valorização de 84%. "Esse é o preço que vale a empresa, na avaliação da corretora. Mas, de fato, o mercado financeiro está com aversão ao risco, que se não diminuir pode impedir que as ações atinjam esse target, sobretudo porque Fertilizantes Heringer tem menor liquidez e integra o grupo de empresas que fizeram Oferta Inicial e Ações (IPO, sigla em inglês) recentemente", explica Brisac.
Enquanto as gigantes mundiais de fertilizantes engordam seus lucros, o crescimento da produção agrícola no Brasil deve ser revisto devido aos altos custos de produção e queda no preço dos grãos, sobretudo soja e milho. A consultoria AgRural, por exemplo, que tinha previsto expansão de 6% na área plantada de soja, por exemplo, no Brasil, já anunciou que deve rever esse percentual para algo próximo de 4%.
Consumo no Brasil
O Brasil importa mais da metade da matéria-prima para fertilizante que utiliza na agricultura. Até junho, as vendas de adubos no Brasil não haviam reduzido, bem pelo contrário, aumentaram, segundo estimativas da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Foram 13,9 milhões de toneladas, 19% mais que 11 milhões de toneladas em igual período de 2007.
No entanto, a importação de algumas matérias-primas já mostraram leve arrefecimento no acumulado do semestre. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Maxiquim Consultoria, foram importados entre janeiro e junho deste ano 187 mil toneladas de amônia, queda de 7,4% em relação aos 202 mil toneladas registradas em igual período do ano passado. Já as importações de uréia se mantiveram mais altas. No primeiro semestre deste ano foram 1,396 milhão de toneladas, um aumento de 9,3%.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Fabiana Batista)