Promessas que não foram cumpridas

27/08/2008

Promessas que não foram cumpridas

 

Oferecer plantas com as características sonhadas pelos produtores agrícolas, como resistência a insetos e à seca, que não agridam o meio ambiente e ainda, que contenham ingredientes que auxiliem a saúde da população é um promessa não cumprida pelas empresas de biotecnologia. Alguns dos projetos estão sendo apresentados na Farm Progress Show, em Bonne (Iowa, Estados Unidos). Na feira é possível observar indícios das novas maneiras com que essas empresas esperam fazer seus negócios: parcerias para chegarem mais rapidamente aos objetivos, que incluem troca de informações e até a incorporação de tecnologias alheias. Os resultados de uma pesquisa nunca aparece antes de 10 anos, depois de investimentos de US$ 100 milhões.
Entre as promessas da Monsanto Company está uma variedade de soja, cujo óleo contenha 20% de ômega 3, substância que preserva o sistema circulatório e retarda os malefícios do envelhecimento. Segundo o pesquisador da Monsanto, David Songstad, a proposta é produzir em 1 hectare de soja o equivalente a 25 mil postas de salmão. O projeto prevê incorporar no DNA da planta o gene de uma alga que é base do alimento do peixe - alimentação do salmão a responsável por esse atributo nutricional.
Além de ômega 3, a Monsanto sonha reduzir o teor de gordura saturada do óleo de soja: torná-lo equivalente ao da canola. Para isso, os pesquisadores estão utilizando recursos hoje habitualmente aplicados nos diagnósticos médicos: ressonância magnética nas sementes para avaliar as características de cada gene e reforçar a presença daqueles que mais contribuem para melhorar as qualidades e o rendimento da planta. Esse procedimento não torna o vegetal transgênico. É uma tecnologia molecular, que resulta da incorporação de moléculas da planta ou de outras.
Com esse esforço, as empresas não querem chegar apenas aos produtores rurais, até agora seus principais clientes. Mas ao consumidor, para elas, os principais objetivos de suas atividades.
Brasil
No Brasil, a Monsanto concentra esforços e investimentos na expectativa de recuperar o tempo perdido na espera da aprovação de seu milho transgênico pela CTNBio. Agora cabe à empresa investir na multiplicação das sementes para comercializá-las na próxima safra de inverno. Empenha-se também em estimular parceiros para o cultivo de sementes para alcançar uma boa participação no mercado.
O total dos investimentos programados com esse objetivo será de US$ 60 milhões - na produção de sementes BT-RR2, resisitentes a insetos. Disto, US$ 28 milhões serão aplicados em áreas arrendadas em Tocantins, Paraná e Rio Grande do Sul. O restantes irá para a reabertura de antigos campos de produção de sementes em São Paulo.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Isabel Dias de Aguiar - a repórter viajou a convite da Monsanto)