Fortes e adaptadas raças que povoam o norte baiano

08/09/2008

Fortes e adaptadas raças que povoam o norte baiano

Com aproximadamente um milhão de caprinos e ovinos, a região norte da Bahia possui hoje o maior rebanho do Estado, segundo do Escritório Baiano de Agropecuária (EBDA).
No município de Uauá (443Km de Salvador) caprinos e ovinos estão em 95% das áreas de pequenos agricultores familiares.
A maior preocupação desses criadores, hoje, está em encontrar solução de armazenar alimento dos animais criando condições de suportar os longos períodos de seca.
O maior rebanho da Bahia está nesta região norte de Casa Nova Curaçá, Uauá, Sento Sé e fala-se até um milhão de caprinos. O rebanho da Bahia é de cerca de 1,7 milhão.
Para o médico veterinário Pedro Alves da Silva, a área de criação, nos municípios de Juazeiro, Uauá, Casa Nova, Curaçá, Sento Sé, a criação é extensiva e “é onde os caprinos se adaptam muito bem, principalmente a grande população de nativos que ainda existe.

TRATO ANIMAL – A própria vocação do nordestino para criação de caprinos e ovinos não exige tanto quanto a de bovinos ou animais que precisam de pasto, de instalações”, explica o veterinário.
Segundo ele, o caprino vai em busca do alimento, mesmo ainda precisando de algum investimento, como conservação de forragem.
“Isso na época que se tem fartura de chuvas, entre janeiro e março, mas o produtor precisa aprender tecnologias para cultura de palmas, por exemplo, forrageira usada na seca, bem como plantas nativas, como caatingueira e aroeira”, completa.
Ele informa que todas as plantas chamadas de talo fino podem ser colhidas nessa época para produção de fenos.

MANEJO – A falta de cultura para guardar alimentos poderia ser mudada também com trabalho voltado ao plantio de milho “que é produto de grande atividade e a palha poderia ser guardada em termos de silagem – técnica fácil para também aproveitar na época da seca”.
O manejo alimentar recomendado pelo engenheiro agrônomo Victor Maciel do Nascimento é o aproveitamento da época verde, quando o pasto e a caatinga oferecem forragem para os animais.
“Eles podem aproveitar o pasto e guardar para época seca. Passamos aos produtores técnicas de como fazer o feno e a silagem, que são formas de oferecer o alimento rico em nutrientes ainda na época seca aproveitado no período chuvoso”.
Para o agrônomo, o ideal é saber manejar a caatinga da forma correta, diante das várias opções de alimentação oferecidas. “A garantia está em saber fazer o corte na forma, época e com as espécies corretas, podendo-se ter diversidade de alimento no período verde e na seca”, assegura Maciel. O conhecimento que é passado ao produtor na tentativa de mostrar no campo o passo a passo de cada etapa do manejo de corte, adubação, divisão de partes em época de chuva que sobre para o armazenamento é feito regularmente por pessoal técnico especializado.
Segundo eles, apesar de saber a riqueza que tem na caatinga, o produtor não aproveita o potencial total, mas existe uma pequena parcela já com nível mais elevado e a preocupação já está em qual será o complemento de alimentação mais rica, mais adequada para raças mais caras.

CLIMA – O veterinário Pedro Alves da Silva diz que as condições climáticas favorecem a farta alimentação que influencia o manejo dos animais.
É passado aos produtores as formas de como programar, por exemplo, uma estação de monta (época certa de acasalamento de caprinos e ovinos), tendo em vista as condições climáticas da região aproveitando épocas de boa quantidade de alimentação.
No período da seca, quando existe pouca oferta de alimento na caatinga, a estação de monta é programada entre os meses de setembro a novembro, pois, passados os cinco meses de gestação, as crias vão nascer em um período em que se terá mais comida.
Para se criar caprinos e ovinos hoje em dia, torna-se necessário adquirir alguns conhecimentos que são descobertos ao longo do trabalho de pesquisadores.
Como descartar os animais para fazer manejo produtivo está entre os ensinamentos passados a produtores, que não deixam de ter seu próprio conhecimento com base na experiência de criação, mas que pode ter ajuda para melhorar o rebanho.
“Primeiro, tem que escolher os animais ou retirar do rebanho os improdutivos, machos com idade acima de oito anos, as fêmeas que produzem menos leite, animais com seqüelas de doenças e descarte de animais que são mochos de nascença, todos tirados do setor produtivo”, relaciona o veterinário Pedro da Silva.
Trabalha-se aí, segundo ele, a maneira de separar e escolher uma boa matriz, um bom reprodutor.O animal ntivo e algumas raças exóticas criadas e recriadas na estação experimental são levados a leilão periodicamente Primeiro são separados excedentes de machos e fêmeas, jovens e adultos e essa separação é feita por uma comissão que define lotes de 5 e 10 animais para que os pequenos produtores tenham acesso O preço geralmente é o de corte, sem cobrança do animal de raça, e está em torno de R$ 2,50 o quilo (chamado de peso vivo ou peso bruto do animal), o que equivale ao preço da carcaça de R$ 5 As ofertas são feitas geralmente por pessoas representadas pelas associações que compram lotes e dividem entre os associados Toda vez que o rebanho está excedente – atinge número maior que a capacidade de criar –, faz-se o leilão para ser vendido – tanto o leilão de descarte para o abate quanto o leilão dos animais destinados ao melhoramento da criação regional.