Centros Digitais de Cidadania beneficiam assentamentos rurais
Duas décadas depois de assegurarem a posse da terra, dois assentamentos de trabalhadores rurais do Território do Sisal, na Bahia, conquistaram o direito da inclusão sociodigital.
No fim da semana passada, a Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) entregou dois Centros Digitais de Cidadania – munidos de 10 computadores, impressora e acesso à internet banda larga – em dois assentamentos de pequenos trabalhadores rurais que, a partir de agora, podem conjugar reforma agrária com a tecnologia da informação e comunicação.
O primeiro CDC foi inaugurado, na tarde de sábado, na sede da Associação dos Pequenos Agricultores da Comunidade de Rose (Apacor), a 12 quilômetros da sede de Santaluz.
Bolsa Família – O equipamento vai beneficiar 120 famílias do assentamento, fundado em 10 de julho de 1989, cujo nome homenageia uma líder dos sem-terras, assassinada no mesmo ano, na Fazenda Anoni (Rio Grande do Sul).
No Povoado de Rose, 95% das famílias recebem o benefício do Bolsa Família.
O segundo CDC, também entregue pelo secretário estadual de CT&I, Ildes Ferreira, contemplou as 154 famílias, 102 das quais do Assentamento de Novas Palmares, a 12 quilômetros da sede de Conceição do Coité. O assentamento foi legalizado há 12 anos.
Durante a inauguração do equipamento, na sede da Apacor, a comunidade de Rose esqueceu os sofrimentos com a seca, os incêndios nos barracos de lona e a ameaça da polícia e dos proprietários de terras, que marcaram o início da ocupação dos sem-terra.
O passado de muita luta e perseguição cedeu lugar à festa e à comemoração de mais uma vitória da comunidade na defesa de seus interesses.
Democracia – "Só mesmo em um governo democrático e que olha para os menos favorecidos deste estado. Estamos tendo a honra de receber um secretário de estado em uma área de assentamento, para entregar um equipamento que a maioria dos assentados nunca teve acesso e não está acostumada a utilizar", observou o pequeno agricultor Fernando Santiago de Jesus.
Ele, como os demais assentados do Povoado de Rose, sobrevive da agricultura familiar e da criação de ovinos e caprinos e, principalmente, da renda do sisal.
O presidente da entidade, José Roque Saturnino de Lima, disse que o CDC vai melhorar muito o nível educacional do povoado, incluindo as crianças, os idosos e os alunos da Escola 10 de Julho, batizada com a data de fundação do assentamento. "É uma grande vitória, sobretudo para uma área que sempre foi discriminada pela classe dominante", afirmou Saturnino de Lima.
"Com certeza, este CDC vai ajudar a aprimorar a nossa formação, principalmente como cidadãos", acentuou a gestora do equipamento, Sônia dos Santos Silva, que chegou ao assentamento quando ainda era criança.
O mesmo pensa o monitor João Silva Santos, filho de assentados. A professora Solange Pamponet, da Escola Municipal 10 de Julho, declarou que, para os assentados, "o CDC é uma coisa grandiosa e vai ser muito importante para a vida dos alunos e de toda a comunidade."