Crise americana inibe novos projetos de usinas

19/09/2008

Crise americana inibe novos projetos de usinas

 

A crise econômica que tem abalado os Estados Unidos, a maior economia do mundo, poderá restringir o volume de projetos para o setor sucroalcooleiros no Brasil. O principal fator apontado por especialistas para essa retração seria a restrição do crédito, que com o agravamento da crise já não deverá ser tão abundante no mercado. O atraso na entrega de algumas usinas neste ano já demonstrava a fragilidade de alguns projetos no setor, que vinha sofrendo com a baixa remuneração do etanol diante da expectativa de uma safra recorde e com um mix de 60% para pro-dução de álcool.

Acompanhando a euforia dos combustíveis renováveis, uma avalanche de projetos foram apresentados para a construção de novas usinas no setor. "Quem fez um projeto achando que ia nadar no dinheiro e não pensou no longo prazo vai sofrer com a instabilidade", afirma Miguel Biegai Junior, analista da Safras & Mercado. "Na euforia o pessoal vai além do que deve", analisa. No entanto, para Biegai, o cenário ainda é positivo para o setor.

"As plantas de novas usinas que já estão em andamento talvez não sejam tão prejudicadas. Mas aquelas que ainda não saíram do papel podem ter dificuldades para encontrar crédito", afirma Mário Silveira, analista FCStone.

José Carlos Toledo, presidente da União das Unsinas do Oeste Paulista (Udop), confirma que o setor não estava bem financeiramente antes da crise. "O cenário é de incerteza. Ainda não é possível dimensionar a crise. " No que diz respeito às exportações para os americanos, Toledo diz que o país compra 20% do total da produção brasileira e uma possível redução não deverá gerar grandes impactos. "Nosso foco é o mercado interno".

Nos EUA, parte dos projetos de construção de novas usinas para produzir etanol foram relegados a segundo plano, em parte por causa da estabilização nos preços do petróleo. Para Silveira, é possível que sejam abertas novas janelas de exportação para os EUA em 2009. "A lei de lá obriga o consumo de 34 bilhões de litros de etanol por ano. As indústrias tem como produzir tudo, mas com os custos de produção em alta pode surgir uma oportunidade. Vai depender do mercado", analisa.

No que diz respeito ao mercado interno, Vitor Piuma, da Theca Corretora, lembra que os preços do etanol estão em recuperação em plena safra, o que pode ser uma sinalização de preços mais firmes na entressafra. "Quando os preços subirem, os projetos vão voltar".

O indicador do Cepea/USP mostra preços em recuperação. O litro do álcool hidratado subiu 1,3% na semana até o dia 08/09, fechando em R$ 0,7428. Biegai acrescenta que o mercado interno vai consumir pouco mais de 20 bilhões de litros. "Está melhor que o imaginado", disse.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Roberto Tenório)