Cana "rouba" mão-de-obra dos cafezais
Os cafeicultores de algumas regiões de Minas Gerais saíram perdendo na tradicional disputa contra a cana-de-açúcar por mão-de-obra em 2008. A falta de trabalhadores fez a média salarial diária subir 50% nesta safra. É o caso do sul de Minas Gerais, onde subiu de R$ 20 para R$ 30 no último ano. O estado produz mais da metade da safra de café arábica, que deve alcançar 46 milhões de sacas (60 quilos), segundo estimativas da Conab.
O crescimento na produção da cana aumentou a demanda do setor por mão-de-obra, que absorveu trabalhadores das lavouras de café. "A cana contratou bem mais neste ano. Mas varia de região para região", observa Ismael Perina Júnior, presidente da Organização dos Plantadores de Cana (Orplana). José Carlos Toledo, presidente da Udop, diz que a disputa sempre existiu. "O crescimento firme da produção incentiva contratações".
Para um produtor da região de Guaxupé que não quis se identificar, o fato é agravado pelos programas de renda. "O seguro desemprego e os outros programas sociais incentivam a informalidade. Isso prejudica a produção certificada", reclama. Lúcio Dias, superintendente comercial da Cooxupé confirma o problema. "Existem os que forçam a demissão para receber logo o seguro desemprego".
Rodolfo Tavares, presidente da comissão de trabalho da CNA, observa que a falta de trabalhadores também é causada pelo êxodo rural. "Precisamos de programas para manter o trabalhador no campo". (Roberto Tenório - Gazeta Mercantil)