9ª Conferência GLOBALGAP terá certificação de biocombustíveis como destaque
Quais são os principais fatores que influenciam na escolha dos alimentos pelos consumidores, na atualidade e no futuro? Como redes do varejo podem garantir que os produtos que vendem sejam seguros e ambientalmente sustentáveis? Quais são os principais desafios encarados pelos produtores de todo o mundo? Todas estas perguntas, e outras questões, serão respondidas em profundidade durante a 9ª Conferência GLOBALGAP - SUMMIT 2008, que será realizada de 15 a 17 de outubro de 2008, em Colônia, na Alemanha.
O evento é um dos mais importantes na área de boas práticas agrícolas da Europa e do mundo, e tem como ponto alto ser fonte de informações práticas e técnicas a respeito de segurança alimentar, bem-estar animal, certificação e preservação ambiental. Também reúne executivos das principais redes de varejo do mundo, como COOP, Metro Group, Lidl, entre outros.
O Brasil e os biocombustíveis receberão destaque entre os eventos paralelos, cujo tema será Certificação da Produção Sustentável de Biomassa. Um dos temas abordados será a certificação internacional ISCC (International Sustainability and Carbon Certification), que terá entre os debatedores Emmanuel Desplechin, da Unica -União da Indústria de Cana-de-açúcar, e Anderson Souza Figueiredo, do Grupo Vanguarda do Brasil S/A.
Também ganharão destaque a certificação de emissões de carbono, gestão de riscos de segurança alimentar, bem-estar animal, e temas pertinentes à norma GLOBALGAP, como um projeto de certificação para pequenos proprietários e formas de harmonização do esquema GLOBALGAP em nível regional e nacional. Os interessados poderão obter mais informações por meio dos sites summit2008.org ou globalgap.org.
História e evolução
A criação da norma GLOBALGAP teve basicamente duas motivações: facilitar a vida dos produtores, vendedores e compradores de produtos primários, no caso redes de varejo da Europa, e garantir a segurança dos alimentos aos consumidores. Isso em 1997, por alguns grupos atacadistas britânicos pertencentes ao Eurep - Euro-Retailer Produce Working Group, numa parceria com supermercados da Europa continental. Cada empresa tinha o seu conjunto de critérios, e muitas auditorias significavam custos adicionais para ambos os lados do balcão – fornecedores e compradores.
Além disso, reagiram ao interesse crescente dos consumidores nas questões de segurança alimentar, normas ambientais e de trabalho. A outra sigla que ajudou a construir a marca, GAP, vem do inglês /good agricultural practices/ – boas práticas agrícolas.
Com o passar dos anos, a norma teve sua presença ampliada. Hoje, a organização está em 80 países e em 2007 fechou com 80 mil produtores certificados. Não perdeu, no entanto, a essência de sua lógica:
GLOBALGAP é uma norma dita pre-farm-gate (antes da saída da fazenda), o que significa que o certificado abrange toda as etapas do produto final, iniciando pelos insumos e terminando no momento em que deixa a propriedade. Isso vale para grãos, hortifrutigranjeiros, carnes, café, chá, entre outros. Em 2007, justamente pela onipresença adquirida, o conselho de administração decidiu alterar a marca de EurepGap para GLOBALGAP, o que tomou corpo na 8ª Conferência GLOBALGAP, que no ano passado aconteceu em Bangkok, na Tailândia.
A nova versão, lançada em 2007 e conhecida como certificação versão 3, reúne todos os produtos agrícolas numa única auditoria na fazenda. Tem o nome de Sistema Integrado da Garantia da Produção. Com isso, donos de propriedades diversificadas, com pecuária, cultivo de grãos e frutas, por exemplo, podem evitar várias auditorias para demonstrar o cumprimento com as múltiplas exigências dos mercados e consumidores.
Um fato que permitiu a expansão da norma foi o "benchmarking", caminho encontrado para incentivar o desenvolvimento de sistemas de gestão adaptados ao nível nacional e muitas vezes também regional. O processo de verificação da equivalência é comparável a um sistema de filtragem, já que qualifica e harmoniza diferentes normas em nível mundial.
As unidades de produção a serem verificadas devem cumprir com as exigências tanto da norma anterior como da norma GLOBALGAP. Isto é garantido por meio de auditorias paralelas, que levam em consideração as condições específicas da unidade de produção. Normas nacionais ou regionais de gestão da produção que completam o processo de verificação da equivalência são reconhecidas como esquemas equivalentes à GLOBALGAP.
O que é GLOBALGAP?
GLOBALGAP é uma organização privada que estabelece normas voluntárias para a certificação de produtos agrícolas em todo o mundo. O objetivo é estabelecer uma norma de BPA - Boas Práticas Agrícolas, que inclua diferentes requerimentos para produtos diversos e que possa ser adaptada a toda a agricultura mundial.