Abelhas invadem a Cidade Luz

29/09/2008

Abelhas invadem a Cidade Luz

 

Paris, 29 de Setembro de 2008 - Corinne Moncelli oferece aos hóspedes do seu Eiffel Park Hotel mais do que uma vista daquele marco de Paris. Ela lhes serve o mel das abelhas que cria no telhado. Há mais de 300 colônias de abelhas conhecidas na capital francesa, uma alta considerável em relação às 250 de cinco anos atrás, segundo a associação nacional dos apicultores.
As colméias apareceram no telhado da Ópera Garnier, em sacadas e em parques. As abelhas estão vicejando na cidade porque "as flores e plantas são trocadas constantemente e não há pesticidas", disse Moncellil. O sucesso do programa francês, iniciado há três anos, para incentivar a apicultura nas cidades, está despertando a esperança de uma revitalização do setor no campo. A apicultura mundial, avaliada em 153 bilhões de euros (US$ 226 bilhões), depende da polinização por parte das abelhas, diz o Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola (INRA, pelas iniciais em francês).
Como acontece nos EUA e no Reino Unido, onde as colônias de abelhas estão morrendo, cerca de 300 a 400 mil colméias francesas desapareceram por ano entre 1995 e 2007, vitimadas por pesticidas, poluição e doenças. "Precisamos das abelhas no campo", disse Henri Clement, presidente da Associação Nacional de Apicultura, sediada em Paris e que gerenciou o projeto. "O potencial das cidades é limitado. A nossa operação na cidade tem o objetivo de despertar a consciência." O Eiffel Park Hotel começou a cuidar de abelhas há três anos, transformando um de seus terraços em um local para duas ou três colméias, que produzem 150 quilos de mel por ano. O hotel distribui mel como brinde e o serve no café da manhã.
Declínio da Polinização
A associação de apicultura lançou o programa urbano em 2005 e vai apresentar os seus resultados no próximo ano, em uma conferência em Montpellier, na França, organizada pela Apimondia, um grupo internacional de associações de apicultores sediado em Roma. O Parc de la Villette, em Paris, está realizando uma exposição, até o fim desta semana, em que os habitantes da cidade podem dormir com as abelhas. Os EUA e o Reino Unido também usaram cidades como locais de criação de abelhas, mas "o programa francês é muito bem desenvolvido e tem uma enorme escala, em comparação com os outros", disse Asger Sogaard Jorgensen, presidente da Apimondia.
Nos EUA, houve pesadas perdas de colméias em 2006, em alguns casos de 90 por cento ou mais. O súbito e maciço desaparecimento de abelhas foi registrado em 35 Estados norte-americanos e afetou colméias na Ásia, Europa e América do Sul, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, pelas iniciais em inglês). Pesticidas, aracnídeos e vírus estão entre as principais causas do fenômeno. Na Europa, 84 por cento das espécies cultivadas de produtos agrícolas dependem diretamente da polinização promovida pelos insetos, especialmente pelas abelhas, segundo um relatório divulgado em junho. Um dos autores do estudo é Bernard Vaissiere, chefe de pesquisa do INRA, sediado em Avignon, na França. O país é o maior produtor agrícola da Europa. "Há crescentes evidências de declínio na polinização em todo o mundo e as conseqüências disso em muitas áreas agrícolas podem ser significativas", disse o relatório.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Bloomberg News)