Adeus ao porco-banha
O Brasil é o quarto maior produtor e exportador de came suína do mundo. Há seis anos, o País tem participação no mercado intemacional. Nossa produção atende a aproximadamente 17% do consumo mundial. Mas, mesmo assim, no mercado intemo, a came é a menos consumida entre os brasileiros .
Mesmo com a grande produção nacional, a produção baiana de carne suína ainda é pequena. De acordo com o último censo agropecuário do IBGE, o rebanho baiano representa cerca de 6% da produção nacional.
A estimativa é que o Estado abrigue em tomo de seis mil matrizes, apesar de ter capacidade para muito mais. Produtores estimam que aproximadamente 80% do que é consumidoem Salvador venha de outros Estados.
O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Rubens Valentini, esteve em Salvador durante a realização do Simpósio Regionàl de Avicultura e Suinocultura. De acordo com ele, a Bahia possue boas matizes de suínos, mas pulverizadas entre pequenos produtores.
A maior granja de suínos do Estado está instalada em Itabuna, mas também existem criações nas regiões de Feira de Santana e Vitória da Conquista.
QUALIDADE - Com todos os desafios, é consenso que a carne produzida na Bahia possui qualidade semelhante à dos melhores criadores do Brasil. Grande parte da produção do Estado é vendida em Salvador e a tendência é aumentar a produção para atender ao mercado interno.
Segundo especialistas, o baixo consumo na Bahia, porém, não tem relação com a produção no Estado, já que o mercado é abastecido com produtos que vêm de outras regiões do País.
O presidente da ABCS, Rubens Valentini afirma que entre as principais causas do baixo consumo da carne está a dessociação do produto com a saúde. O consumidor, diz, ainda carrega preconceitos, como a associação a doenças e à obesidade. "O animal produzido hoje não tem qualquer relação com aquele porco-banha criado em pocilgas de antigamente", afirma.
"O suíno alimenta-se exclusivamente com rações à base de milho e soja e apresenta níveis de colesterol inferiores aos da carne de frango", assegura.
PROGRAMA - Segundo Rubens Valentini, falta, na Bahia, um programa que atenda à suinocultura. "A Bahia precisa ser incluída no Programa Nacional de Sanidade Suína", frisa.
A gerente do setor de suínos, da Vallee SA., Milena Duram, comenta a falta de dados oficiais: "A produção de-suínos no Brasil está concentrada nas regiões Sul e Sudeste, mas nós temos conhecimento de que esta produção cresce no Centro-Oeste e no Nordeste", disse. Apesar disso, ela diz que não existem dados oficiais, já que o último levantamento foi realizado em 2004.
O gerente de produção da Granja São João, em Itabuna, Marcelo Berbert, conta que existem desafios a serem superados na Bahia. O primeiro deles é a temperatura. "O suíno não produz suor e é preciso controle constante da temperatura no ambiente onde os animais são alojados", explicou.
A distância entre os principais criadores e o pólo produtor de grãos também encarece a produção baiana. "Enquanto estamos a quase 900 km de Barreiras, nosso principal fornecedor de milho e soja, as granjas do Sul e Sudeste estão instaladas, no máximo, a 100 km de pólos produtores".