Biofábrica instalada em Itamaraju

29/09/2008

Biofábrica instalada em Itamaraju

 

Foi lançado, no começo deste mês, em Itamaraju, município do extremo sul do Estado, localizado a 743 km de Salvador, o Plano de Aceleração do Desenvolvimento do Agronegócio na Região Cacaueira do Estado Bahia (o PAC do Cacau), que estimulará o plantio de mudas diversas, em especial do cacau. Também foi inaugurado, na ocasião, em Itamaraju, unidade do Instituto Biofábrica, que ficará responsável pela distribuição das mudas.

O diretor do Instituto Biofábrica, Moacir Smith Lima, informa que as unidades, instaladas em 21 municípios da Bahia, terão mudas de cacau, pupunha, açaí, pau-brasil, goiaba, cupuaçu, jenipapo e graviola, todas geneticamente modificadas. "Essas mudas são para estimular os pequenos produtores. As mudas serão vendidas a um preço que varia de R 0,40 a R 1 e cada produtor poderá comprar até mil mudas, no máximo. Esse limite tem de existir porque senão os grandes produtores vão comprar tudo", explica o diretor.

GARANTIA - Das 20 unidades da Biofábrica, a de Itamaraju é a maior, com 400 m² e capacidade para 20 mil mudas. As outras têm 270 m² e podem acomodar até 12 mil mudas. "O viveiro da Biofábrica tem capacidade para distribuição e venda de dois milhões de mudas por ano", informa Moacir Lima, que destaca que as plantas são certificadas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). No ato da compra das mudas, os produtores assinarão um termo de compromisso onde assumem a responsabilidade pela devolução dos tubetes, onde as mudas são colocadas.

"Os produtores interessados em adquirir mudas devem comparecer à Biofábrica para fazer um cadastro e agendar a compra de seu interesse", avisa Moacir Lima. A produção de material botânico para distribuição aos agricultores que aderirem ao PAC do Cacau foi feito mediante convênio de cooperação técnico-institucional com o Instituto Biofábrica de Cacau e a Ceplac. Está prevista também a produção de sementes melhoradas de dendê e seringueira.

Para produção do material botânico, o Instituto Biofábrica, vinculado à Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), também assinou contratos de comodato para utilização de parte das instalações das estações experimentais da Ceplac. Segundo Moacir, o Instituto Biofábrica pretende implantar um jardim clonal de 50 hectares de cacaueiros para produção de clones de cacau certificados pela Ceplac e dez mil metros quadrados de viveiros de fruteiras na Estação Experimental Joaquim Bahiana.

MAIS MUDAS - Na Estação Experimental Lemos Maia, o convênio prevê a implantação de 50 hectares de mudas de mandioca certificadas pela Embrapa, para a produção anual de 300 hectares de sementes de mandioca (manivas). Outros 100 hectares de seringueira serão cultivados, na Estação Experimental Djalma Bahia, para implantação de um pólo de produção de três milhões de mudas de seringueira de clones certificados pela Ceplac e Michellin. "Há cerca de 20 anos vimos desenvolvendo pesquisas de melhoramento genético em nosso banco de germosperma de cacau", disse o diretor do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), Jonas de Souza.

"Vários produtores da região também nos ajudaram a melhorar a qualidade do cacaueiro, fazendo, eles mesmos, a clonagem de plantas que se mostraram mais resistentes à vassoura-de-bruxa", afirmou o diretor do Cepec, segundo o qual se estima que a área plantada com cacau no sul e extremo sul da Bahia esteja variando entre 450 mil e 500 mil hectares. "Estou incluindo aí áreas que possam estar com pastos no momento, pois muitas áreas de cacau já foram substituídas por pastos ou outras culturas", frisou Souza, do Cepec.

TREINAMENTO - Na semana passada, em Itabuna, um grupo de mais 40 técnicos em assistência técnica e extensão rural recém-contratado pela Secretaria da Agricultura, por meio da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), participou do curso Tecnologia de Produção de Cacau no Sul da Bahia, ministrado por pesquisadores e técnicos do Centro de Extensão da Ceplac (Cenex) e do Cepec.

Dentre os temas abordados na capacitação, destaque para o papel do agente de assistência técnica e extensão rural, ecofisiologia do cacaueiro, melhoramento genético do cacaueiro para resistência à vassoura-de-bruxa, prática de enxertia, manejo e conservação de solos, qualidade, beneficiamento e classificação do cacau. Foram treinados e capacitados os técnicos das regionais EBDA de Itabuna, Jequié e Cruz das Almas.