Ovinos de abate chegam ao sul
Há três anos, cacauicultores do sul da Bahia participaram de um curso na Ceplac e decidiram iniciar um projeto para a criação de ovelhas, como alternativa de dversificação e geração de renda. O trabalho evoluiu e gerou a Cooperativa Agropecuária de Criadores de Ovinos e Caprinos do Sul da Bahia (Coopervino), que hoje reúne 32 produtores de vários municípios, com objetivo de produzir cordeiros para abate.
Segundo o presidente da Coopervino, João Eudo da Silva, o cordeiro é uma ovelha ainda jovem, entre 6 e 7 meses, que tem uma carne mais macia e saborosa do que a do animal adulto. Na região, existem produtores de ovinos há cerca de dez anos, mas apenas para consumo familiar. A atividade, organizada com objetivos comerciais, é recente.
RUSTICIDADE - João Eudo salienta que criar ovelhas é semelhante ao gado bovino, mas com resultados mais rápidos. A raça escolhida pelos criadores da Coopervino é a Santa Inês, que é mais rústica e se adaptou bem ao clima regional. Como já criava gado leiteiro, João Eudo não precisou investir em estrutura na fazenda, apenas adquiriu o planteI, hoje com 70 animais. A cooperativa exige um mínimo de 50 cabeças, para ter uma margem do que dispõe para comercializar e o produtor possa obter renda com a venda de pelo menos 20 unidades por ano.
O preço do quilo de cordeiro nomercadovariaentre R$12 e R$ 14 para o consumidor, ficando de R$ 8 a R$ 11 para o criador. Um cordeiro abatido com 6 a 7 meses tem de 18kga22 kg, gerando uma renda significativa.
GENÉTICA - Criador há um ano, Cleto Saweré um dos que já estão investindo em melhoramento genético e adquiriu ovinos da raça Dorper, provenientes da transferência de embriões da África, para cruzamento com a Santa Ihês.
Como já tinha estrutura na propriedade, Sawer só investiu na aquisição das matrizes de Santa Inês, que custam R$ 150 cada uma, e, depois, adquiriu 16 matrizes Dorper, que custam R$ 5 mil por cabeça. Em dois anos, pretende recuperar o investimento e começar a ter lucro, num rebanho com cerca de 500 ovelhas, entre adultos e filhotes.
GARGALO - O maior gargalo da ovinocultura, segundo João Eudo, é a falta de abatedouro específico na região. A Coopervino está tentando implantar um, em parceria com o Estado, e oficializar, dentro das exigências da vigilância sanitária municipal e estadual. Tendo os cuidados sanitários, a carne de cordeiro é mais saudável, com teor de gordura 50% menor do que a dos bubalinos e bovinos, diz João Eudo.