Agronegócio pára no oeste da Bahia
"Com a incerteza do mercado internacional diante da crise financeira dos Estados Unidos, os produtores do oeste baiano estão parados, ninguém planta nada, ninguém compra nem vende produto algum, estão todos apenas acompanhando as notícias, esperando o mercado se estabilizar". A afirmação é do vice-presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Sérgio Pitt, que destacou ainda a suspensão de todas as negociações junto aos bancos e agências de financiamento. "Já há alguns dias ninguém está fechando novos contratos, os bancos não sabem quais regras seguir nem em quem confiar como credor. Por outro lado, os agricultores estão com medo de fazer empréstimos e não conseguir arcar com a dívida", disse.
A expectativa de alguns setores da economia em relação ao oeste baiano, voltado principalmente para a produção e venda de algodão e soja no mercado internacional de commodities (matérias-primas industriais em estado bruto ou insumos com baixo nível de industrialização), era de que a alta do dólar trouxesse vantagens, contudo, de acordo com Pitt, tal realidade não se concretizou. "Os contratos que estão sendo pagos hoje foram fechados há um ou dois anos, o que representaria um inaior lucro com a variação do câmbio, entretanto a grande maioria dos produtores fez transações 'casadas', ou seja, no momento em que venderam suas safras, investiram em fertilizantes e adubos importados, produtos que também tiveram os preços puxados pelo dólar", ressaltou.
"Além disso, não adianta o dólar subir se não há mercado. Nos últimos dias, a demanda por commodities caiu bastante e os preços despencaram. Hoje (ontem), o preço do algodão ficou mais baixo do que o registrado sexta-feira, mesmo com o dólar mais alto", afirmou Pitt.
Apesar de reconhecer as coneqüências dá crise americana sobre a produção agrícola baiana, o economista e ex-secretário do Planejamento do Estado, Armando Avena, acredita que o setor não tem muito com o que se preocupar, pelo menos nos segmentos voltados para a produção de alimentos será a última a sofrer algum impacto. "A demanda por comida não vai diminuir. O que preocupa são as perdas dos setores de bens intermediários, como petroquímica, mineração, celulose e papel, que podem obter vantagens ao exportar com o dólar mais alto que o real, mas esse cenário será temporário, pois a queda da demanda será generalizada", disse, acrescentando que espera uma desaceleração da economia baiana e brasileira em 2009. O crescimento em 2008 está garantido por causa do bom desempenho do primeiro semestre, mas no próximo ano o mundo inteiro vai se retrair".
EMERGENTES - Mais otimista, o economista e atual secretário estadual" do Planejamento, Ronald Lobato, avalia que os países emergentes, como Brasil, México, China e Índia, "pela primeira vez na história, estão em uma situação que lhes permitirá manter o mercado internacional em níveis estáveis mesmo com os países mais ricos estando em crise", afirmou, destacando que, no caso do Brasil e da Bahia, o equilíbrio orçamentário garante uma estabilidade a longo prazo.
Lobato destaca ainda que a corrente de comércio - soma das riquezas geradas pelas exportações e importações - corresponde a no máximo 2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasfleiro, "o que coloca o País numa situação mais protegida, com baixa exposição ao cenário internacional".
O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Victor Ventin, também acredita numa certa segurança da economia brasileira, mas ressalta que o futuro ainda é incerto. "Em relação às commodities, a queda dos preços decorrente da redução da demanda tem um amortecimento no impacto devido à alta do dólar, que funciona como uma compensação, mas essa folga tem limites", destacou, avaliando que o cenário indica queda de consumo em todos os segmentos, o que sugere cautela. "O mercado financeiro está tendo dias de bom humor e dias de mau humor, qualquer previsão agora é infundada, mas torço pelos otimistas", disse.