Dólar pode ajudar exportador de algodão a fechar no azul

30/09/2008
Dólar pode ajudar exportador de algodão a fechar no azul
 
 

O câmbio que tanto vinha desestimulando os produtores de algodão - que inclusive reduziram 8% área nesta safra por conta da remuneração menor provocada pelo dólar desvalorizado - estão respirando mais aliviado diante dos novos valores da moeda americana. É que até agora, apenas 30% do volume previsto para exportação foi embarcado. Como na maior parte dos contratos de exportação a taxa de câmbio é fixada na operação de embarque da pluma no porto, existe portanto, boas chances de os 70% restantes pegarem taxas melhores, o que significaria para os produtores de algodão que fixaram custos ao câmbio de R$ 1,60 a fechar a conta no "azul", com o embarque, a R$ 1,96.

Segundo estimativas da Safras & Mercado, há previsão de embarques de 635 mil toneladas de algodão em pluma para este ano. Os 30% (190 mil toneladas) exportados até a última semana pegaram taxa média de R$ 1,60, segundo João Luiz Ribas Pessa, produtor e conselheiro da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Ontem, a cotação da moeda americana fechou em R$ 1,9680. "É provável que a situação melhore para os produtores com esse câmbio, mas é preciso considerar que cada um negociou um contrato diferente", pondera Pessa.

Miguel Biegai, analista da Safras & Mercado, conta que de fato, há produtores que tem realidades diferentes de contratos. Do total de 635 mil toneladas negociados, 9,312 mil toneladas foram fechadas no ano de 2005, entre 52 e 55 centavos de dólar por libra-peso. O negócio ficou entre 55 e 60 centavos de dólar por libra -peso para 324 mil toneladas. Outros 273 mil toneladas foram firmados em 2007 com preços entre 60 e 72 centavos de dólar por libra-peso e apenas 28 mil toneladas foram fechados com os preços melhores, acima de 70 e até 80 centavos de dólar por libra-peso.

Mas, se de um lado a crise financeira ajuda o produtor rural - com taxas de câmbio melhores - de outro, prejudica, sobretudo os de maior porte, que buscam recursos em instituições internacionais. Segundo João Carlos Jacobsen Rodrigues, conselheiro da Abrapa e presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) explica que a maior parte dos produtores dessa cultura - cerca de 70% - são de grande porte e usam muito crédito de instituições financeiras internacionais para se financiarem. "Já nesta safra, os bancos internacionais fecharam os financiamentos. E isso está afetando essa grande parcela dos produtores de algodão", explica Jacobsen. Ele mesmo, há cinco anos financia cerca de 40% de sua lavoura de algodão com crédito internacional e, para esta safra, não conseguiu a liberação do recurso por conta da crise financeira.

Ele conta que nessas instituições, os produtores captavam recurso a taxas de juros de 8% ao ano, consideradas atrativas, uma vez que o crédito oficial para agricultura no Brasil possui taxas menores (6,75%), mas não é oferecido em volume suficiente para todo o setor. "Acredito que, ainda que haja liberação desse crédito internacional, as taxas estarão maiores, próximas de 11%", calcula Jacobsen. "Os grandes produtores estão tentando conseguir recursos nas linhas tradicionais dos bancos brasileiros, com taxas maiores", afirma.