Bahia lidera recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos no Norte/Nordeste

01/10/2008

Bahia lidera recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos no Norte/Nordeste

 

De 2002 até agosto deste ano, foram 5,9 mil de toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos recolhidas. Esse número, que coloca o Estado como líder no ranking de devolução de vasilhames no Norte/Nordeste e em oitavo lugar na classificação nacional, é fruto do Projeto Campo Limpo. O objetivo é dar o destino final adequado aos recipientes, assim reduzindo o impacto ambiental, conforme determinação da Lei Federal 9.974/00. Na Bahia, as ações são executadas pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), há oito anos, em parceria com o Instituto Nacional de Processamentos de Embalagens Vazias (Inpev).
Atualmente são sete centrais de recebimento do projeto localizadas nos municípios de Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Conceição do Jacuípe, Ilhéus, Irecê, Teixeira de Freitas e Vitória da Conquista. Estas centrais recolhem, processam e enviam as embalagens vazias de agrotóxicos para o Inpev. Além de alguns postos de recebimentos, estratégicos, nas regiões de casa Nova, Remanso, Sento Sé, Sobradinho, Jequié e Itabuna, em função da distância das centrais.
Segundo o diretor de defesa sanitária da Adab, Cássio Peixoto, o grande destaque em recebimento de embalagens vazias é a central localizada no município de Barreiras, que recolheu nos últimos seis anos quase 5 mil toneladas recipientes de agrotóxicos. “A unidade é considerada modelo no país, sendo responsável pela destinação de 98% das embalagens consumidas nas culturas de soja e algodão da região Oeste do estado”, afirma.
O diretor destaca que sozinha, a central de Barreiras representa 85% de todo recolhimento do estado. “Somente de janeiro a setembro desse ano, a central recolheu cerca de 1,2 mil tonelada de vasilhames”, declara Peixoto. Para ele, o desafio do Projeto Campo Limpo no Estado é atingir o pequeno produtor rural que, segundo pesquisas, mais da metade descarta incorretamente as embalagens de agrotóxicos, pondo em risco a própria saúde e o meio ambiente.
Para conscientização deste pequeno produtor, a Adab desenvolve, ao longo do ano, ações de educação sanitária que envolvem palestras, seminários e dias de campo. Subsidiados por um material didático, eles são instruídos quanto à compra, o uso correto dos aditivos químicos e equipamentos de proteção individual (EPI), bem como sobre a importância do descarte apropriado e as implicações legais.
De acordo com a legislação vigente, é obrigatória a devolução das embalagens vazias de agrotóxicos. Após a sua compra, o produtor tem o prazo de um ano para entregar os recipientes, devidamente lavados. Caso não haja devolução, estará sujeito à multa e receberá uma notificação, aplicada pela Adab.

Métodos de Lavagem

“É importante também que o agricultor fique atento aos rótulos das embalagens, onde contém a orientação mais adequada para sua utilização, tendo em vista que há no mercado grande número de agrotóxicos e cada tipo de embalagem recebe tratamento diferenciado, conforme normatiza a legislação federal”, explica o engenheiro agrônomo e coordenador do Projeto Campo Limpo na Adab, Raimundo Ribeiro.
Segundo o coordenador, a maioria dos recipientes de produtos fitossanitários é lavável, portanto, é fundamental que o agricultor cumpra o decreto federal nº. 9974/2000 e realize a tríplice lavagem para a devolução e destinação final correta deste material.
A principio, o agricultor deve esvaziar a embalagem colocando todo o conteúdo no tanque pulverizador. Em seguida, ele vai adicionar água limpa à embalagem, até um quarto de seu volume, tampar e agitar o vasilhame por 30 segundos. Por fim, vai despejar a água de lavagem no tanque do pulverizador e repetir a operação mais duas vezes, motivo pelo qual o procedimento é chamado de tríplice lavagem.
Outra forma de lavagem é a realizada sob pressão. Para este tipo de higienização, é necessário que o produtor possua pulverizadores que tenham acessórios próprios para a finalidade. Deve-se iniciar a operação esvaziando a embalagem do agrotóxico, encaixando no local apropriado do funil do pulverizador. Em seguida, deve ser acionado o mecanismo de liberação do jato de água, sendo esse direcionado para as paredes internas do vasilhame num período de 30 segundos. Por fim, a água de lavagem tem que ser transferida para o interior do tanque do pulverizador. A operação deve ser repetida mais duas vezes.
Independente de quais formas o agricultor realize sua tríplice lavagem, o Inpev recomenda que, após o manuseio da higienização, a embalagem seja perfurada no fundo, tornando o vasilhame inutilizável para armazenamento.

Recebimento Itinerante

Além do recolhimento padrão realizado pelas centrais durante todo o ano, a Adab juntamente com o Inpev, intensificou em 2008 os trabalhos de recebimento itinerante junto às comunidades de pequenos produtores. O método visa beneficiar àqueles que não têm condições de se deslocarem às centrais para efetuar a devolução.
Na região de Itabuna, a Biofábrica do Cacau irá disponibilizar até o final do ano, cerca de seis viveiros que servirão como ponto de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos. A cada embalagem devolvida nestes pontos, a Biofábrica doará ao produtor mudas de frutas resistentes às suas principais doenças, a exemplo de mudas de cacau resistente à vassoura-de-bruxa, mudas de banana resistentes as sigatokas negras e amarelas, palmito, graviola, cajá, acerola, essências florestais. Estas últimas servirão para a recomposição da Mata Atlântica.


Ascom Adab – 29/09/2008
Welder Shane / Mariana Bião
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