Banco do Brasil injeta mais R$ 5 bilhões no setor rural
Para tentar amenizar a escassez de linhas de financiamento externas para o setor agrícola, o governo decidiu antecipar a liberação de R$ 5 bilhões que o Banco do Brasil previa usar somente no Plano de Safra do ano que vem. A medida emergencial anunciada, ontem, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, é uma alternativa ao aumento, nesse momento, na parcela dos depósitos à vista que os bancos captam dos clientes e são obrigados a direcionar para a agricultura.
O principal alvo da liberação do dinheiro são os grandes produtores de grãos. Para plantar, os agricultores contam basicamente com três fontes de recursos: capital próprio, dinheiro que o governo anuncia para os financiamentos nos planos de safra e os empréstimos de tradingse fornecedores. Estes últimos costumam tomar dinheiro no mercado externo.
Os financiamentos das tradings e fornecedores respondem por cerca de 30% do dinheiro necessário para o plantio da safra, que custa R$ 120 bilhões, segundo o diretor de agronegócio do Banco do Brasil, José Carlos Vaz. "O capital próprio representa outros 30%, e o Plano de Safra, 40% ", afirma. Como a disponibilidade de crédito externo caiu, os produtores que usavam essas fontes de recursos aumentaram a demanda por empréstimos no BB.
Para atender esses agricultores, o banco, no entanto, precisava aumentar os R$ 11 bilhõesestimados em abril, quando fez sua previsão de financiamentos. O problema se tornou mais grave, segundo Vaz, porque a crise do crédito chegou em pleno plantio de verão, que ocorre no segundo semestre, e responde por cerca de 70% da produção. "O governo pediu para antecipar desembolsos que seriam feitos no ano que vem", afirmou.
Em 2009, quando se espera que a situação esteja mais calma, o governo decidirá como recompor os recursos para o plano de safra do BB. Uma alternativa para cobrir os R$ 5 bilhões antecipados é elevar a parcela dos depósitos à vista direcionados para o crédito agrícola que atualmente está em 25%. Isso, porém, implica redução da parte desses recursos que os bancos são obrigados a recolher ao BC, o chamado depósito compulsório. A diminuição do compulsório agora chegou a ser cogitada no governo.